Santos Dumont ou Irmãos Wright

A incompreensível e injusta polêmica:

Santos Dumont ou Irmãos Wright?

Em 19 de outubro de 1901, o prêmio oficial oferecido pelo Aeroclube da França, contemplando o primeiro voo autônomo de equipamento “mais leve que o ar” que, decolando, voando e conduzido por meios próprios, contornasse a Torre Eiffel e pousasse no mesmo ponto de origem, dentro do tempo de 30 minutos, foi concedido para o brasileiro Alberto Santos Dumont, que, com o seu balão dirigível Nº 6, realizou essa proeza fielmente, arrebatando o prêmio Deutsch. Mas, ainda não era o voo autônomo domais pesado que o ar”!

Cinco anos depois, em 23 de outubro de 1906, no Campo de Bagatelle, Paris, França, na presença de grande público, com representantes da imprensa da época e também de equipe técnica do Aeroclube da França, por seus próprios meios, sem a necessidade de artefatos anômalos para impulsionar seu lançamento, Alberto Santos Dumont decolou e voou cerca de 60 metros, a uma altura de dois a três metros, com o seu 14 BIS, na época carinhosamente apelidado como “ave de rapina”.

Em 12 de novembro seguinte, diante de significativa multidão de testemunhas, voou novamente, desta vez por 220 metros a uma altura média de 6 metros.

Essa realização também foi reconhecida e tornada oficial, pelo Aeroclube da França.

Registra a história que, após a notícia sobre os voos de Santos Dumont “correr o mundo”, os irmãos Norte Americanos Wilbur e Orville Wright foram à público declarando que, em 17 de dezembro de 1903 teriam conseguido efetuar um voo de aparelho mais pesado que o ar, por alguns metros, utilizando uma catapulta, de onde a aeronave foi impulsionada e deslizou sobre trilhos, para depois efetuar um voo em planeio, à frente, sem meios de dirigibilidade e, não tendo sistema de propulsão própria, pousando assim que sua velocidade foi naturalmente reduzida. Desse fato, antes “desconhecido”, nunca foram apresentadas testemunhas ou provas. Existiram apenas as suas declarações.

Os dois feitos de Santos Dumont, o voo com o “mais leve que o ar”, com o dirigível N° 6, e depois o voo com o “mais pesado que o ar”, com o XIV BIS, foram realizados com grande número de assistentes e juízes avaliadores, e prontamente homologados pelo Aeroclube da França, ambos decolando, voando e pousando por seus próprios meios.

Mediante esses fatos podemos seguramente considerar que; a forma de propulsão e os meios próprios de dirigibilidade em voo são relevantes na definição do voo autônomo, fato antevisto, reconhecido, evidenciado e inclusos como normas na época, por meio da determinação de condições que reconheceriam o realizador dos voos pioneiros do mais leve e do mais pesado que o ar! Além disso, há grande diferença entre o voo que utiliza a tração mecânica autônoma para sua completa realização, e o voo planado, não dirigível e iniciado com o recurso da propulsão de catapulta.

Entre outros personagens, todos importantes, não há dúvidas de que os irmãos Wilbur e Orville Wright proporcionaram importantes contribuições às condições que levaram ao planeio do mais pesado que o ar, ainda que em meio à fatos bastante “nebulosos” nas confirmações oficiais. Mesmo para aquela proeza, por eles declarada como realizada e dessa forma reconhecida, não existem provas ou registros de declarações de pessoas que oficialmente testemunharam tal fato.

Já Santos Dumont respeitou as normas impostas pelo Aeroclube da França, voando na presença de significativo público assistente e de representantes da imprensa, também documentado por comissão oficial indicada e reconhecida pelos órgãos controladores do fato, além de amplamente fotografados.

Assim, com tranquila justiça, podemos entender que é justo o reconhecimento pioneiro oferecido à Santos Dumont, como sendo o legítimo inventor do avião. Com seriedade e sem “bairrismos” não há como contestar tal condição!

Os irmãos Wright merecem os méritos pelo primeiro voo planado do mais pesado que o ar, quando excluída a condição de decolagem por meios próprios de impulsão e dirigibilidade. Entretanto, Santos Dumont foi, de fato e de direito, o primeiro a comandar o voo autônomo do mais leve e do mais pesado que o ar.

Então, qual é a justificativa da polêmica em torno desse assunto, que oficial e comprovadamente é claro e evidente? Os méritos corretos e justos devem ser creditados à todos!

Paulo Dirceu Dias
paulodias@pdias.com.br
Sorocaba – SP
Setembro/2015