Opinião e sugestão para a educação

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Ousadia na opinião e sugestão para a educação: dez “pontos” que buscam novos caminhos!

Novamente nossos jovens obtiveram resultados medíocres nos exames mundiais do PISA – Programme for International Student Assessment, que avalia o conhecimento e habilidade em leitura, matemática e ciências, de estudantes com 15 anos de idade, com ênfase no entendimento de texto, versatilidade e criatividade. E, essa situação vem se repetindo a cada três anos, desde 2000.

Culpa deles? Não. Culpa nossa, por não oferecermos eficiência no ensino educacional!

Nessa continuidade de frequente confirmação das péssimas condições do nosso ensino, que, com raras exceções, se ressente pela falta de atualização e modernização, além de, principal e criminosamente, manter a “desvalorização” dos professores, consequentemente também dos alunos, com isso desperdiçando a capacidade dos nossos jovens, que existe em grande potencial, mas vem sendo pessimamente orientada e amplamente desperdiçada, não resisto ao permanente e crescente ímpeto de continuar abordando o tema.

Eu não me atreveria na sugestão de temas sobre “o que e como ensinar”, e outros que se aprofundem na didática educacional! Entretanto, não me acanho em mergulhar no “sistema de ensino”, que, continuo entendendo, está em franca decadência, “ladeira abaixo”.

Com base em diversas leituras a respeito, ouso “sonhar” com a adoção de sistemas que vem sendo utilizados com sucesso em outros países, e mostrando-se significativamente mais eficientes que os nossos, atualmente em uso!

Nesse sentido, me arrisco a sugerir o que segue.

  1. Alterar a legislação, de forma que permita oferecermos aos professores a remuneração digna, que eles merecem, de fato e de direito, em todos os níveis de ensino, a partir do infantil básico, até o universitário. Afinal, a formação de futuros técnicos, engenheiros, médicos, advogados, juízes, cientistas e todas as demais profissões, deles dependerão para conseguir o sucesso profissional e existencial!
  2. Para os atuais professores, diretores, gestores e outras atividades afins, já devida e justamente reconhecidos e remunerados, criar cursos de “reciclagens”, para atualizações e ensinamentos modernos, em conteúdo, didática e forma de comunicação e transmissão de conhecimentos. Simultaneamente também criar cursos especializados, de readequação, para quando os mestres e interligados venham futuramente se mostrar ainda deficientes, ensejando a necessidade de “reforços”, por ainda não conseguir transmitir aos seus alunos os programas determinados, em condições aferidas por meio de exames periódicos, a seguir abordados, nos itens 5 e 6.
  3. Na grade curricular a ser ministrada, proibir as exigências para que os estudantes “decorem” formulas, tabelas, gráficos e dados diversos, que nenhum profissional consciente futuramente usará “de memória”, quando deles precisarem, então consultando essas informações. Qual a utilidade de decorar fórmulas se, quando necessárias, poderão e serão facilmente encontradas para consultas? Para que servirá perder tempo decorando nomes de rios e afluentes, ou capitais de estados, se também estarão disponíveis quando necessários? Exibindo esses elementos nas aulas, e também nas provas, devemos ensinar os nossos estudantes a reconhecer cada item, saber localizar, identificar e como utilizar, aprendendo como desenvolver os cálculos, a raciocinar com os dados fornecidos e conseguidos. Devemos ensinar o desenvolvimento da criatividade, e não o uso da memória “fotográfica”, que pode muito bem ser desenvolvida e utilizada para fins mais nobres! Nessa linha de pensamento, as fórmulas, gráficos, tabelas, eventos históricos, datas e similares sempre serão informados e fornecidos por meios diversos e eficientes, durante os estudos e também nas futuras provas. Nas aulas os mesmos dados serão apresentados e “dissecados” na forma da aprendizagem do uso, e não da obrigação de os “decorar”! O mesmo deve acontecer com os fatos históricos, geográficos e similares, ensinados, desenvolvidos e “dramatizados”, sempre tornando disponíveis seus títulos e datas. Tudo aquilo que o futuro profissional consultará para seguramente utilizar, deve ser oferecido para consultas, durante o ensino, e nas provas! Aprender a consultar, desenvolver e bem utilizar é muito mais importante e útil que a obrigação de “decorar”!
  4. Os alunos devem receber aulas, instruções e conhecimentos por meios criativos, dinâmicos, diversificados e variáveis nas formas de aplicação, segundo as necessidades do grupo, sempre adequados e adaptados à classe, de forma que estejam e permaneçam motivados à participar, a contribuir com ideias e propostas de adequações e soluções, de maneira que tenham despertada a curiosidade pelos temas, participem com interesse dos assuntos ensinados, exibam criatividade no desenvolvimento das ideias e façam sugestões, debates e propostas! Enfim, que as aulas se tornem realmente interessantes, cativantes e motivadoras. Nesse particular entendo que, atualmente, salvo quando forem úteis às aulas, o uso de celulares e equipamentos equivalentes devem ser proibidos! A tecnologia moderna deve ser utilizada nas aulas, quando os professores puderem orientá-la de forma didática, dinâmica, participativa e criativa. Nessas condições será indispensável! Substituindo os eletrônicos, a leitura e o entendimento de texto devem ser estimulados, por meios criativos, que despertem o interesse pelos assuntos e temas dos conteúdos, preferivelmente provocando debates entre os alunos.
  5. Devemos “acabar” com os exames e as provas criadas e ministradas pelos professores e suas escolas! Preservadas as exigências dos respectivos níveis, as “cobranças” dos ensinamentos devem ser todas realizadas coletivamente, nacionalmente, padronizadas, na mesma forma hoje utilizada pelos exames seletivos, como o ENEM e, guardadas as proporções, pelos vestibulares. O conteúdo das matérias, ementas, que serão exigidas nas provas nacionais, devem ser antecipadamente informadas aos diretores e professores, sempre direcionadas à criatividade e ao raciocínio, para que as utilizem nos ensinamentos aos alunos, em forma similar às que hoje fazem nos “cursinhos” para vestibulares! Ao final de cada semestre, ano e/ou período, nacionalmente padronizadas, provas seletivas, tipo ENEM ou vestibular, serão realizadas para cada um dos níveis, adequadamente a eles dirigidas, “cobrando” o conhecimento desenvolvido, sempre privilegiando o raciocínio e a criatividade dos estudantes, na forma em que vem sendo feito nos periódicos testes internacionais do “PISA”.
  6. Os resultados obtidos pelos estudantes nas provas, além de a eles creditados, serão catalogados e analiticamente utilizados para avaliar o desempenho dos respectivos professores, diretores e gestores das escolas, que também os utilizarão como orientação para seus aperfeiçoamentos e progressos futuros, uma vez que, “livres” da elaboração de provas e exames, todos terão mais tempo para dedicar ao estudo próprio e à melhora dos seus métodos de ensino. Se, nos exames periódicos, os alunos vão bem, os professores são valorizados. Se vão mal, os seus mestres passam por reciclagens. Se o grupo de certa escola foi bem, seus diretores e gestores também são valorizados. Quando vão mal, os dirigentes devem se explicar e passar por reciclagens. Se as reciclagens não surtirem os efeitos desejados, os profissionais serão literalmente substituídos!
  7. Criar cargos para “Delegados”, “Inspetores”, “Examinadores” ou outros títulos, para “fiscais” independentes que aleatoriamente visitarão as escolas, em todos os níveis, para aferir a aplicação dos trabalhos, a produção dos professores e dos dirigentes, a frequência dos alunos, e outras atividades vinculadas e resultantes do trabalho em curso em cada uma delas. Seus relatórios orientarão os gestores sobre o que necessitará maior atenção de orientadores especializados, que “socorrerão” onde e em que necessário.
  8. Defendo também, fortemente, a proposta do ensino plenamente laico, em todas as escolas e níveis. Entendo que temos o dever, a obrigação, de conseguir atingir essa meta, que está sabiamente determinada em nossa Constituição! Entretanto, se for necessário apaziguar e atender os acentuados entendimentos contrários, neste caso – obrigatoriamente – deveremos determinar o ensino, o estudo e o debate da religiosidade, em suas origens, desenvolvimentos, diversificações e consequências, respeitosamente e sem influenciar e direcionar para crenças ou descrenças específicas.
  9. Considero ainda que seria plenamente salutar melhor orientar no currículo disciplinar aulas especialmente voltadas à conscientização e ao ensino a respeito dos recursos e cuidados com as condições, qualidade, manutenção e preservação do meio ambiente, da ecologia e da recuperação e manutenção dos recursos hídricos, pensando não apenas nos atos presentes e futuros dos próprios estudantes, mas principalmente nos ensinamentos e “cobranças” que eles certamente transferirão às suas famílias e pessoas próximas, ainda que em reduzidas idades.
  10. Devidamente adequadas à cada nível, vejo também como indispensável a orientação em direção às artes, estéticas, plásticas, naturais e comunicativas, por serem parceiras indispensáveis da educação e criatividade, em todos os sentidos e motivos que possam ser imaginados.

Certamente os nossos eternos “pessimistas” argumentarão que; “não temos verbas para tudo isso”! Talvez não tenhamos, mesmo, principalmente nos dias e condições atuais! Mas, se continuarmos nos mantendo nessa mortal “zona do conforto”, “do comodismo”, não gerando atitudes, não determinando planejamentos e metas, nunca teremos resultados!

Uma gestão eficiente nas verbas atualmente disponíveis, cerceando os “desvios”, “desperdícios” e má utilização, certamente resultará no seu melhor aproveitamento! Além disso, exceto no quesito da remuneração dos professores e profissionais da área, muitas das iniciativas necessárias não dependem de “verbas” adicionais, mas sim, de iniciativa, disposição, seriedade e boa vontade! Então, podemos sim iniciar por elas! Temos que começar! Temos que “disparar” metas e motivações, sérias e contundentes! Se assim não acontecer, nunca faremos algo sério! Continuaremos na bancarrota, “ladeira abaixo”, desprezando nossos professores, e perdendo-os continuadamente para outras áreas profissionais, prejudicando nossos jovens e toda geração futura, e, com eles, impedindo o progresso da nação!

Não podemos ignorar que os países que desenvolveram iniciativas como as citadas melhoraram, em tudo! Hoje seus jovens, e adultos, são mais ativos, criativos e desenvolvidos, mais participativos e produtivos, seus políticos são mais sérios e coerentes, seus dirigentes e gestores são mais competentes, e a nação cresce e progride sadiamente, em todos os sentidos, graças à “safra” dos novos formados.

Podemos sim! Devemos! Temos a obrigação de “disparar” atitudes que nos levem a produzir melhores resultados, ainda que a longo prazo! Iniciando já, um dia conseguiremos “chegar lá”!

A maioria das ideias para essas propostas não foram por mim “criadas” ou “inventadas”! São resultados da leitura de diversos livros, de autores que constataram a eficiência das mesmas.

Alguns desses livros estão exibidos em http://snookerclube.com.br/categoria/livros/. Entre eles destaco: “As crianças mais inteligentes do mundo e como elas chegaram lá” da jornalista norte-americana Amanda Ripley, e, quatro livros do Pierluigi Piazzi, o “Professor Pier”.

A respeito do mesmo assunto, outros textos por mim desenvolvidos e/ou replicados, estão disponíveis em: http://snookerclube.com.br/categoria/educacao-e-ciencia/.

Paulo Dirceu Dias
paulodias@pdias.com.br
Sorocaba – SP
09.12.2016