O Clima Seco

Matéria do Globo Online – SPTV

Os comentários seguintes servem apenas como alerta e orientação generalizada. A automedicação pode originar agravamentos. Nunca deixe de consultar seu médico.

O clima seco afeta a saúde. Confira a seguir algumas providências que podem ajudar a amenizar os sintomas.

O calor e o clima seco são hoje rotina em grande número de cidades. A falta de chuva tem deixado muitas regiões em estado de alerta, por causa dos baixos índices de umidade.

Nos dias de tempo seco existe uma maneira de medir, em casa, a baixa umidade do ar: basta colocar uma roupa molhada no varal. Quanto mais rápido ela secar, menor é a umidade do ar.

Foi o que fez a dona de casa Maria de Lourdes Rodrigues. “Há 20 minutos eu coloquei a camiseta e você pode ver que ela está sequinha. Coloquei uma calça no coberto e secou em 15 minutos. A gente fica com a garganta muito seca, mesmo o nariz e os olhos”, conta a dona de casa.

Bem mais científico é o equipamento do INMET, Instituto Nacional de Meteorologia, localizado no mirante de Santana, na zona norte da Capital. A medição oficial da umidade é feita com dois termômetros idênticos expostos ao ar. Um seco, que registra a temperatura do ar e outro, com uma gaze molhada na ponta, que calcula a temperatura úmida.

O termômetro envolvido com a gaze sempre registra uma temperatura menor que o outro, porque a água, em evaporação, resfria o equipamento. A diferença entre os dois valores encontrados é convertida na umidade relativa do ar, com a ajuda de uma tabela. “A partir desta coleta, tudo é passado para uma observação meteorológica. Eles vão decodificar e saber as condições do tempo naquele momento”, diz Marise Amadei, observadora meteorológica.

Quando a umidade está entre 20 e 30%, a organização mundial de saúde considera como “Estado de Atenção”. De 12 a 20% é “Estado de Alerta” e abaixo de 12% é “Estado de Emergência”. O ideal é que esse índice fique acima de 60%, o que geralmente vem acontecendo apenas nas manhãs, por causa da neblina.

Dicas.

Para dar algumas dicas de como manter a boa saúde, mesmo com o clima seco, conversamos com o Doutor Clystenes Silva, especialista em pulmão. Ele chefia o setor de pronto atendimento de pneumologia da Unifesp.

SPTV: Quais as principais queixas das pessoas no tempo seco?

Dr. Clystenes Silva: O ser humano precisa de cerca de 10 mil litros de ar por dia. Imagine entrar em contato com 10 mil litros de ar inadequado, como a repórter mostrou? Para quem tem doença respiratória, como asma, bronquite, rinite, enfisema, isso pode desencadear um conjunto de sintomas, pode agravar, pode provocar crises e fazer com que a pessoa perca o dia de trabalho, pode ir para um pronto-socorro, e isso tudo traz transtornos à vida. Para quem não tem doenças, há o desconforto. Surgem a ardência, a garganta seca, o nariz seco, o olho seco. São situações que vão desde o simples incômodo até o agravamento de doenças, que é sintoma de sofrimento.

SPTV: Como amenizar estes sintomas?

Dr. Clystenes Silva: A primeira coisa é se hidratar bem. Beber dois ou três litros de água por dia. Tem substâncias, como soro fisiológico, você pode umedecer o nariz, pode umedecer a mucosa do olho e isso diminui muito este desconforto, principalmente em crianças. Uma criança com gripe, com obstrução nasal, você tem que fazer uma situação de amenização deste quadro.

SPTV: A toalha molhada dentro de casa ajuda?

Dr. Clystenes Silva: A toalha molhada ajuda, mas você viu o exemplo da camisa, que secou em 20 minutos. Então nós temos que pôr um arsenal de toalhas. Talvez a bacia com água em casa, ou aquele aparelhinho, o umidificador ou o vaporizador podem ajudar. O mais importante para as pessoas que estão com doença é que elas precisam ajustar a quantidade de remédios, de acordo com orientação médica. Isto é fundamental para minimizar a repercussão sobre o aparelho respiratório.

Consulte o seu médico, sempre.

Paulo Dirceu Dias
paulodias@pdias.com.br
Sorocaba – SP