Ligas e Federações – A Sinuca no Interior dos Estados

Por força da legislação desportiva as Federações devem ser constituídas nas capitais, e uma só em cada Estado pode ser reconhecida pela Confederação Brasileira.

Provavelmente em razão disso, e, talvez, também por um pouco de comodismo, salvo raras exceções as Federações limitam suas atividades à suas cidades, se “esquecendo” dos municípios do interior.

Quando oferecem alguma atenção, geralmente são tímidas, limitadas, isoladas e desprovidas de continuidade.

Pode ser descortês afirmar, mas trata-se de infeliz realidade que não pode ser ignorada: esse acontecimento é um grave descuido e lastimável desperdício de oportunidades!

Permanece latente no interior dos Estados um enorme potencial de crescimento do esporte.

Algumas experiências, que infelizmente não tiverem continuidade, mostraram que os clubes e os praticantes do interior, talvez por conseguirem maiores facilidades, geralmente são mais ativos, entusiasmados e contagiantes que os das capitais, e aspiram por realizações desportivas organizadas e oficiais, que integrem as atividades no Estado!

As poucas Federações que dedicam alguma atenção às demais cidades, realizam grandes e fortes eventos regionais, coletivos e individuais, sempre com exemplar motivação.

Também é fato a dificuldade trazida pelas longas distâncias, que separam os interessados, mas essa é uma condição contornável!

Ter sua sede nas capitais não impede que as Federações ampliem seu raio de ação, nomeando representações nos demais municípios, por meio do registro e/ou reconhecimento de departamentos ou escritórios regionais, ou, ainda melhor e com maior eficiência, estimulando e facilitando a criação de ligas legalmente constituídas.

Basta a união mínima de 3 (três) clubes de mesma cidade ou região, para constituir uma liga municipal e/ou regional, que, registrada e reconhecida pela Federação de seu Estado, passa a ser um “braço” daquela entidade dirigente em sua região. Um bom número de ligas ativas consegue realizar importantes certames regionais, e reunir seus representantes em eventos estaduais, motivadores e competitivos, que são também reconhecidos pela Federação do Estado, e seus clubes e atletas recebem pontuações nos rankings oficiais do Estado, além de todos serem cadastrados e registrados na Confederação Brasileira.

Em diversas oportunidades observei alguns dirigentes do nosso esporte manifestarem certo “preconceito” contra a criação de ligas, vendo-as como “concorrentes” das federações. Triste e grave equívoco!

Uma liga em atividade consegue aglutinar os interesses desportivos de sua região, e torna as suas realizações oficiais e seus atletas federados, estimulando e incentivando a prática organizada e crescente. Com isso, crescem também a Federação do Estado e o esporte, este principalmente, com a ampliação do número de praticantes e de clubes vinculados por meio das ligas.

Não há dúvidas: um trabalho objetivo voltado às cidades do interior, preferencialmente vinculado à criação e colaboração de ligas legalmente constituídas, ampliará o crescimento e o desenvolvimento das entidades dirigentes, e do esporte em suas principais atividades.

É forte a convicção de que os resultados serão surpreendentes! Certamente as Federações encontrarão o interior de braços abertos, para acolher tal oportunidade!

A respeito deste texto, em 28.10.2015 recebi o comentário que segue, da diretoria da CBBS – Confederação Brasileira de Bilhar e Sinuca. É meu o destaque em negrito e sublinhado.

Paulo, há mais de 2 anos aprovamos em AGE a criação das Ligas do Interior, para viabilizar as participação dos atletas dessas regiões nos campeonatos nacionais. Para isso basta realizarem o cadastramento dos atletas e clubes locais, informarem o calendário das competições e rankings. As vagas serão proporcionais à participação de cada região em relação as capitais. Isso já está aprovado e registrado, entretanto, nenhuma liderança surgiu até o momento para organizar nenhuma região. A verdade é que ideias existem, mas pessoas dispostas a trabalhar pelo esporte no voluntariado é que é mais difícil. Abs.”.

Paulo Dirceu Dias
paulodias@pdias.com.br
Sorocaba – SP