Hospital de Câncer de Barretos e a Festa do Peão de Boiadeiro

A Festa do Peão de Boiadeiro de Barretos e suas relações com o Hospital de Câncer de Barretos.

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PPBarretos01Nacional e internacionalmente famosa, a Festa do Peão de Boiadeiro de Barretos está entre os principais colaboradores e doadores que auxiliam na manutenção das atividades do Hospital de Câncer de Barretos.

 

hcbarretos01O vínculo entre a Festa do Peão de Boiadeiro com o Hospital de Câncer de
Barretos, descrito 
no texto que segue, proporcionado pela destacada característica filantrópica de ambos e aliada à enorme fama da festa, também despertou minha atenção, que inicialmente foi amplamente satisfeita pelo relato histórico feito por um valoroso personagem de Barretos, que tive a satisfação e o privilégio de conhecer, o extremamente atencioso, gentil, simpático e dinâmico Mussa Calil Neto, que tem fortes laços e vínculos com as atividades das duas realizações, que também me proporcionou agradável visita ao recinto da feira, que em justa homenagem leva seu nome; o Parque do Peão Mussa Calil Neto.

livro60anosEmpolgado com o dinamismo constatado também na realização da Festa do Peão, que leva à segura dedução de que Barretos é realmente a terra de gigantes em iniciativas e realizações de sucesso, adquiri um excelente livro editado em 2015, ano da comemoração dos 60 anos das realizações anuais do evento, que conta a história do nascimento e a progressão dessa importante festa, também oferecendo relatos sobre seus criadores, colaboradores e mantenedores. O resumo dos épicos acontecimentos que resultaram na magnífica realidade atual, teve como base os detalhes disponíveis no livro e os relatos do simpático amigo Mussa Calil Neto.

Em 1955 um grupo de jovens amigos de Barretos, unidos por atividades comuns, principalmente em sólidos princípios fortemente humanitários, desenvolveram o desejo de realizar em sua cidade uma festa que atraísse e agradasse a população da região, constituída por maioria de cidadãos ligados às atividades pecuárias, além de estarem em região de passagem obrigatória para a condução de rebanhos bovinos para Goiás e Minas Gerais, características que já incentivavam algumas atividades festivas vinculadas à essas práticas, com destaque para uma festa realizada com sucesso em 1947, que havia reunido uma exposição de gado com outras diversas atividades recreativas e culturais. Essas lembranças e constatações levaram o grupo a entender que o ideal seria a realização de eventos que envolvessem os peões em rodeios competitivos, revertendo as arrecadações para doações à entidade filantrópica da cidade, voltada ao atendimento de idosos. Para atingir essa finalidade decidiram primeiramente fundar um clube, cujos diretores e colaboradores providenciariam o necessário para as atividades escolhidas.

As atividade que consolidariam a trajetória de sucesso do rodeiro brasileiro em Barretos iniciaram com a escolha de cinco deles, liderados pelo
dinâmico jovem Antônio Renato Prata, para a missão de organizar as regras de funcionamento, decidir sobre nomenclaturas e apresentar uma
chapa para a primeira eleição da diretoria.

Em razão do desejo de que participariam do grupo apenas jovens barretenses, maiores de 22 anos, solteiros, financeiramente livres e independentes, um dos integrantes do grupo, Saulo Junqueira, sugeriu o nome de “Os Independentes” para os representar, imediatamente aprovado por todos. As fotos de época mais recente mostram os pioneiros Independentes.

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Ainda em 1955, para início de atividades em um primeiro evento, aproveitaram as comemorações dos 101 anos de Barretos, no dia 25 de agosto daquele ano, e realizaram uma gincana automobilística para casais, com a renda revertida para a “Vila dos Pobres” local. Na festa seguinte, de 1956, foram acrescentadas partidas de futebol, quermesses, festas temáticas e as primeiras realizações que reuniam as atividades do peão boiadeiro, por meio de competições de berrantes, concursos de catira, desafios de viola e rodeios de cavalos e bois.

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A programação da festa seguinte, em 1957, já exigiu espaço maior e mais apropriado. Estava em turnê na cidade um circo de touradas, “Fubeca”, com estrutura simples, mas que poderia ser aproveitada. Depois de longas negociações, o circo foi alugado pelo clube dos Independentes. Com o grande sucesso e excelente resultado obtido na realização da festa, o grupo comprou o circo para realizar as apresentações dos anos posteriores.

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Nas festas seguintes, o rápido crescimento e grande sucesso passaram a atrair organizações de peão de outras regiões e países, inicialmente Argentina, Paraguai e Uruguai, que mandavam seus competidores para Barretos, onde também compareciam autoridades públicas e personagens artísticas famosas, com grande público presente, despertando o interesse de grandes marcas, que destacavam seus logos nos rodeios, conseguindo fama que incluiu a festa nos calendários culturais oficiais.

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Em 1967, com as festas já realizadas durante cinco dias, o grupo “Os Independentes” compraram o imóvel para a primeira sede física de seu clube, um antigo palacete de estilo clássico e elegante.

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Os integrantes do grupo relatam que, ainda sem vínculos com a Festa do Peão, em 1968 aconteceu um importante fato para Barretos, quando os grandes idealistas Dr. Paulo Prata e sua esposa, Dra. Scylla Duarte Prata, juntamente com o Dr. Miguel Aborian Gonçalves e Dr. Domingos Boldrini, por meio da Fundação Pio XII, fundaram um hospital ambulatorial para pacientes com câncer, ainda pequeno, mas extremamente profissional e competente, o Hospital São Judas Tadeu, aqui exibido em foto recente.

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Em 1972, denotando sua importância, a festa recebeu a presença do Presidente da República, Emílio Garrastazu Médici, e do Governador Laudo Natel, acompanhados de muitas e importantes autoridades públicas.

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Nos anos 80, sob a presidência de Daniel Bampa Netto, o grupo “Os Independentes” adquiriu uma área de 40 alqueires de terra, quase 1 milhão de m2, há 7 km do centro de Barretos, para criar o Parque do Peão. Em 1984, o jovem Mussa Calil Neto deu início à concretização do sonho do grupo em realizar as festas em “casa própria”, conseguindo que o Arquiteto Oscar Niemayer criasse o projeto para ocupar a nova propriedade adquirida. O novo espaço próprio que passou a abrigar as festas foi batizado como Parque do Peão Mussa Calil Neto, em homenagem àquele que é citado no livro que registra a comemoração dos 60 anos da festa, com a seguinte redação, de forma resumida: “Uma manhã de 1984 trouxe para o grupo um jovem
vindo das divisas de São Paulo e Minas Gerais, com sobrenome árabe, falando com enorme entusiasmo sobre os planos que trazia, sendo visto como um jovem guerreiro revolucionário na defesa de seus ideais, transpirando arrojo visionário com a volúpia de uma metralhadora atirando a essência da cultura boiadeira rodeada de reses, trazida por conquistadores. O rapaz queria que a cultura sertaneja, disseminada no lombo de equinos e muares, tivesse um santuário em Barretos, para onde os descendentes e adeptos seguissem em romarias
.
” Concordando com o projeto e confiando no entusiasmado jovem, aprovaram a implantação do Parque do Peão de Barretos. Esse despojado realizador, Mussa Calil Neto, foi presidente do Clube dos Independentes em 1984 e 1985.

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Hoje esse monumental gigante possui: um Estádio Polivalente com capacidade para 35.000 pessoas sentadas em suas arquibancadas, abrigando na arena mais 20.000 pessoas em pé para a realização de shows, somando incríveis 55.000 assistentes; um estacionamento de 120.000 m2, abrigando cerca de 14 mil carros por dia; 21.000 m2 reservados para camping, com capacidade para receber 10 mil pessoas em duas áreas separadas, para famílias e para solteiros; o “Berrantão”, um pavilhão coberto com 2.400 m2 para receber eventos diversos; 20 ranchos particulares utilizados pelos grandes patrocinadores; uma feira comercial; uma praça de alimentação que oferece mais de 100 opções de pratos variados; um posto policial abrigando 500 soldados; um posto médico com 10 ambulâncias ativas atendendo emergências; um Memorial do Peão, abrigando um grande museu que conta a história e as atividades da festa; o Rancho do Peãozinho, dedicado às atividades para crianças; um Parque Ecológico, ministrando orientações ecológicas e ambientais; o ECOA, um Departamento de Estudos de Comportamento Animal, que promove estudos e esforços para melhorar o trato dos animais; inúmeras praças decoradas com monumentos, esculturas, obras de arte e ícones diversos, cultuando e destacando personagens e lides boiadeiras. Atualmente estão construindo imensas instalações para abrigar um enorme hotel para receber os visitantes das festas.

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Em 1993, na 37ª comemoração, a Festa do Peão Boiadeiro passou a ser reconhecida internacionalmente, com a participação de peões americanos, canadenses, australianos e cubanos, oferecendo como prêmios duas caminhonetes Mitsubishi, na maior premiação em rodeios no Brasil, colocando o rodeio de Barretos no Guinnes Book, destacado também por ser o primeiro rodeio transmitido em rede nacional, pela TV Record.

hospitalbarretos02Também em 1993 ocorreu outro fato destacado pelos Independentes como significativo e importante, quando foram procurados por um antigo amigo do grupo, Henrique Duarte Prata, na imagem com seu pai, Dr. Paulo Prata, com um pedido especial; conseguir auxílio para a causa da Fundação Pio XII, que precisava de ajuda na divulgação e captação de recursos para construir na cidade um grande hospital, voltado ao tratamento do câncer e atendendo à população carente, complementando as escassas verbas cedidas pela saúde pública. O presidente da época, Mauri Abud, abraçou a causa e juntos conseguiram generosa doação da dupla sertaneja Chitãozinho e Xororó, possibilitando a construção de uma ala inteira do hospital, que, em homenagem à seus benfeitores, recebeu o nome daquela dupla.

hcbarretos01Esse vínculo se perpetuou e até hoje mantém atividades especialmente voltadas à conseguir importantes doações, que, juntamente com muitas outras, viabilizam a continuidade e o crescimento vertiginoso do atual Hospital de Câncer de Barretos, agora também reconhecido como referência de excelência nacional e internacional.

A Festa do Peão de Boiadeiro de Barretos e o Hospital de Câncer de Barretos são indiscutíveis resultados da coragem, dedicação e arrojo de pessoas exemplarmente dinâmicas, abnegadas e sérias, que dedicam importante e grande tempo de sua vida em prol de atividades que oferecem à população carente, além de entretenimento, condições para preservar a saúde e a vida com dignidade e qualidade de excelência. São pessoas que resgatam as esperanças dos brasileiros e oferecem exemplos de valorosas atividades em vida produtiva.

Seguem imagens relacionadas aos relatos. Clicar sobre elas exibe ampliações

logo60anosbarretosO logotipo de comemoração dos 60 anos da Festa do Peão de Boiadeiro de Barretos.

 

circorodeiosBarretos00O circo de rodeios em 1965local da primeira festa, em duas fotos da época.

 

 

 

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sedepropriaBarretos01A primeira sede do Clube dos Independentes, em imóvel adquirido em 1967.

 

 

garrastazubarretosA visita oficial do Presidente da República, Emílio Garrastazu Médici e o Governador Laudo Natel.

 

 

niemayer02Um dos esboços do Arquiteto Oscar Niemayer, desenvolvido para o projeto do Parque do Peão.

 

 

 

 

 

 

recintoparque02O início das construções do Parque do Peão, administradas pelo então presidente Mussa Calil Neto, nas duas fotos com camisa listrada.

 

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niemayer01O Arquiteto Oscar Niemayer com o Mussa Calil Neto.

 

 

 

monumentopeaodeboiadeiroO gigantesco Monumento ao Peão, mostrando um peão com sua sela e parte de seus equipamentos característicos.

 

 

queimadoalho01A Festa da Queima do Alho, identificação para a preparação de comidas tradicionais utilizadas pelos peões, aqui em foto antiga.

 

 

ranchodopeaozinhoO Rancho do Peãozinho. Criado em parceria com a Secretaria da Educação de Barretos, organizado pelo Parque da Ciência, é um espaço cultural dentro do Parque do Peão, onde estão expostos trabalhos científicos feitos com materiais alternativos, promovendo também aulas de rodeios para crianças, que montam ovelhas.

vilaecologica01A Vila Ecológica, criada nas dependências do Rancho do Peãozinho, com algumas das suas divisões mostradas nas três imagens, é dividida em Casa da Montanha, Casa da Árvore, Casa do Castor, e Casa do João de Barro, em projeto desenvolvido para ensinar, estimular e incentivar às crianças a respeito da importância dos processos de reciclagens, reaproveitamento de água da chuva, drenagem sustentável, e outros.

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cavaleirodasamericasO Monumento Cavalheiro das Américas.

 

 

 

 

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Monumento Cavalo de Aço.

 

 

 

 

memorialdopeaoO Memorial do Peão, inaugurado em 2005, comportando um museu que conta a história dos Independentes e das festas, com galerias dos fundadores e presidentes, e muito mais sobre essa importante realização.

monumentotourobandicoMonumento ao Touro Bandido, conhecido e reconhecido mundialmente por derrubar instantaneamente todos os peões que tentavam montá-lo, proeza só conseguida uma vez, pelo peão Carlos de Jesus Boaventura. Morto por doença, o touro foi enterrado ao lado do Memorial do Peão e homenageado pelo seu monumento.

ecoa01O ECOA – Departamento de Estudos de Comportamento Animal, que foca estudos e esforços para melhorar o trato dos animais.

 

mussakalilnetoFinalizando, uma foto recente do dileto amigo Mussa Calil Neto.

 

 

Conheça o texto que resultou da minha primeira visita ao Hospital de Câncer de Barretos, como paciente, e deu origem aos relatos publicados neste site.

Paulo Dirceu Dias
paulodias@pdias.com.br
Sorocaba – SP
03.03.2016