Fatos ou Chistes? – E Agora Rachuam?

Em 1958, as equipes do Club Homs e do Clube Piratininga decidiam o título do primeiro Interclubes realizado em São Paulo.

Depois de horas de acirrada disputa, o placar acusava 12 x 12 e o último jogo estava ainda em curso. Jogavam o Rachuan, pelo Homs, e o Geraldo, pelo Piratininga.

As partidas, acirradas, acabaram por levar a decisão à fatídica “negra”, terminando por ficar em jogo só a bola branca e a 7, habilmente jogadas em continuadas e desesperadoras defesas. Encaçapar aquela bola negra significava a glória de levar ao seu clube o troféu e título de Campeão Paulista. As torcidas se revezavam entre o nervosismo e animação.

Repentinamente o Geraldo falhou em uma defesa! A desejada 7 ficou próxima da marca da bola 4, com a branca a um palmo, alinhada para a caçapa. “Era o fim!”, suspiraram. Rachuam, az da sinuca na época, vislumbrou a partida ganha. Era a glória! Seu clube levado à vitória por suas mãos!

Nessa condição, resolveu aproveitar e dar um show…! Alternou olhares entre o adversário e a plateia, fazendo caretas e provocando incontidos risos. Passou flanela e talco no taco, lixa na sola, caprichou no giz, virou-se para o garçom e mandou servir café para toda a plateia, “Por minha conta…” (era gratuito), foi ao banheiro, conversou em árabe com os amigos da plateia e, finalmente, resolveu jogar…! Mas, o impossível, ou o castigo, aconteceu: a bola 7 deu dois bicos e parou na boca da caçapa. Geraldo matou-a e deu a vitória ao seu Clube Piratininga.

Como explicar? Rachuan era ídolo! Inconformado, ele retornou as bolas onde estavam e, para provar a sua infelicidade, matou a 7 com uma narigada na branca, literalmente. Risos e gargalhadas suavizaram a derrota do Club Homs.

Publicado na Revista Bola da Vez, comemorativa dos 20 anos de fundação da Federação Paulista de Sinuca e Bilhar.

Paulo Dirceu Dias
paulodias@pdias.com.br
Sorocaba – SP