Fatos ou Chistes? – Bola na Boca

Conta um veterano jogador baiano, que na sua juventude presenciou um típico “pega incauto”.

“Sémil (pseudônimo) era indiscutivelmente o melhor jogador de sinuca de Redasfa (nome fictício), pequena cidade do interior da Bahia”, onde, diz ele, mesmo oferecendo “partido” (vantagens em pontos para iniciar partida) tinha dificuldades em conseguir adversários. Por essa razão costumava “inventar” jogos e situações “diferentes” para “atrair jogo”.

Um dia, em salão cheio, caprichou na colocação de três bolas sobre a mesa principal, entre a marca da bola cinco e uma das caçapas centrais:

  • na “boca da caçapa central” colocou a bola 7, obstruindo totalmente a passagem de outras bolas;
  • entre ela e a marca da bola cinco colocou a bola seis;
  • completando uma “linha reta com três bolas”, entre a bola seis e a marca da cinco colocou a tacadeira, branca.

Em seguida, jogando dinheiro sobre a mesa, atraiu a atenção de todos com um desafio inusitado: “eu encaçapo a bola seis sem tirar a bola 7 da boca”.

O “povão” presente, examinando a colocação da bola sete e confirmando que ela não permitia a passagem da bola seis, duvidou: “É impossível, você não consegue!”.

“Aposto!” desafiou o Sémil. “E só faço apostando”, reafirmou.

Desafiados, os mais céticos “toparam” rapidamente a porfia. Muitos os acompanharam, fazendo bastante grande o volume de apostas, bancadas com o dono do salão.

Terminadas as apostas o Sémil, muito calmo e todo pomposo, limpou o taco, passou talco nas mãos, ajeitou sua roupa, observou as bolas por alguns segundos, contornou a mesa e parou próximo da caçapa central onde estava a bola sete. Com as mãos para trás curvou-se e, usando a sua boca retirou da mesa a bola sete. Com ela na boca, rapidamente passou para o outro lado da mesa e deu a sua tacada na branca, encaçapando a bola 6 na caçapa prometida. Ainda rápido voltou a bola 7 da sua boca para a posição anterior…. e correu recolher o dinheiro das apostas!

Debaixo dos risos daqueles que, sem dinheiro, não tinham apostado, os outros permaneceram num silêncio gélido… mortal… conta o veterano jogador. Olhavam uns para os outros, sem saber se protestavam, se ofendiam o Sémil ou a senhora sua mãe, se o matavam ou chamavam o delegado da pequena cidade!

Mas nada foi feito. Ele cumpriu o que prometeu: encaçapou a bola 6 na caçapa obstruída, sem tirar a bola 7 da “boca”… dele, e não “da caçapa”, detalhe que esqueceram de perguntar… antes de apostar!

Os incautos ficaram sem o “rico dinheirinho” e o Sémil nunca mais conseguiu fazer apostas com ninguém.

Colaboração de Valmir Antônio Couto da Silva – Ex Presidente da Federação Baiana – BA

Paulo Dirceu Dias
paulodias@pdias.com.br
Sorocaba – SP