Emocional – Adrenalina e Sinuca

A adrenalina é definida como um hormônio produzido pela parte medular das glândulas suprarrenais, que produz efeitos no organismo por meio da circulação e metabolismo, com ação sobre o sistema nervoso simpático, coração, pulmões, vasos sanguíneos, órgãos genitais e outros, originando reações diversas, entre elas a estimulação e exaltação.

Alguns acontecimentos, como a libido, o baixo nível de glicose, o stress físico, mental e/ou emocional, agem como estimulantes naturais e acionam o mecanismo de liberação da adrenalina no sangue, tendo como efeitos mais imediatos o aumento do batimento cardíaco, dilatação dos brônquios e pupilas, vasoconstrição, suor e outros.

Exemplos reais ensinam que, quando um animal é ameaçado, as opções instintivas serão a de ficar e lutar, ou correr o mais rápido possível. Ambas respostas exigem quantidade extra de oxigênio e açúcar no sangue e nos músculos, neste momento liberando a adrenalina na corrente sanguínea, coração e músculos, originando contrações dos vasos sanguíneos.

Afirmam ainda que, quando levamos um susto ou praticamos um esporte, com maior ou menor intensidade milhares de estruturas são liberadas em nossa corrente sanguínea, alterando o nosso organismo na tentativa de prepará-lo para enfrentar a situação de tensão, alerta e/ou decisão, provocando reações diferentes em cada pessoa, com algumas raras e privilegiadas se acalmando e agindo com especial tranquilidade, às vezes quase nada notando nas modificações produzidas, mas, a enorme maioria tendo alterações orgânicas significativas, física e mental, afetando negativamente seus atos.

Na Sinuca, durante jogos importantes, em alguns momentos decisivos, grande número de jogadores passa por alterações emocionais que liberam a adrenalina, com influência negativa nas suas ações.

Aumenta o suor nas mãos, dificultando o deslizar do taco. Mãos e braços ficam tensos, tornando os movimentos irregulares e impossibilitando a alta precisão exigida nas jogadas. O raciocínio fica prejudicado, dificultando a identificação das melhores opções de jogadas, e na escolha da técnica à aplicar. Entre outros, esse conjunto de efeitos diminui significativamente a qualidade técnica no jogo, reduzindo a eficiência e prejudicando resultados.

Durante os campeonatos é comum jogadores experientes e altamente técnicos repentinamente passarem à errar bolas fáceis, e não conseguir sequência em tacadas que lhe dariam a vitória. Quando assim acontece, e é frequente, acaba por vencer aquele que conseguiu se manter mais calmo, não necessariamente o tecnicamente superior.

Um exemplo bastante claro desse fato acontecia com o amigo Gabiais, de Goiás! Jogador técnico e eficiente, com excelente grau de recursos, nos tempos de seu apogeu, durante os jogos preparativos e de treinamentos de grandes campeonatos, costumava vencer com facilidade todos os seus companheiros, para a maioria oferecendo alto “partido” (pontos de vantagem oferecidos como bônus ao oponente), até mesmo em jogos “apostados”, sempre mantendo calma e tranquilidade incríveis, em qualquer situação. Em seguida, nos jogos oficiais dos campeonatos, perdia rápida e facilmente para os mesmos jogadores, apresentando jogo irreconhecível, acontecimento que sempre o impediram de chegar às finais. Certamente o amigo sentia forte influência do emocional, com a adrenalina “no pico”.

Acontece com praticamente todos os atletas, inclusive os mais experientes!

Essa é uma das razões da divulgação sempre realizada no meio da sinuca, de que; principalmente em campeonatos, para propiciar bons jogos, com bom aproveitamento técnico, bom entretenimento e boa confraternização entre participantes e assistentes, a prática da sinuca exige; dedicação, treinamento, concentração, habilidade, agilidade, preparo físico, técnica, raciocínio e estratégia, necessitando, portanto, de ambiente calmo, silencioso e salutar.

Paulo Dirceu Dias
paulodias@pdias.com.br
Sorocaba – SP