EmDrive a nova revolução na ciência física.

emdrive01Um dos equipamentos
experimentais 
nos testes do EmDrive

Texto elaborado com base na matéria de Carlos Cardoso, publicada em 03.08.2014, no site http://meiobit.com/, e outras pesquisas diversas.

EmDrive: a nova revolução na ciência física.

Isaac Newton e Albert Einstein ficariam “desorientados”! Contrariando às leis da física de ambos, experiências vem acontecendo e realizando algo que faz lembrar do antigo e inatingível “sonho” do moto-perpétuo, embora nada tenha com ele!

Roger J. Shawyer, um engenheiro aeroespacial britânico, dando continuidade em teorias desenvolvidas nos anos 50 por outro engenheiro (de nome não declinado), conseguiu mostrar que, utilizando apenas energia elétrica é possível conseguir movimento propulsional a partir da projeção de feixes de microondas para dentro de uma cavidade ressonante, especialmente projetada (como a da imagem anterior), gerando pressão de radiação eletromagnética nas paredes, em quantidades diferentes, com isso fazendo com que ela seja “empurrada”, levando todo o resto do motor. Chamaram esse “motor” de EmDrive.

Em comparação simplória, seria como se você agarrasse os cordões do sapato, puxasse com força e voasse para o espaço. Não faz sentido! E inicialmente, durante muitos anos, a comunidade científica não deu atenção quando Shawyer publicou suas ideias, em 2000.

Agora, a dificuldade dos cientistas é que; sabem que funciona, mas ainda não entendem como!

A suposição dos cientistas é a de que o movimento da unidade é provocado pela radiação eletromagnética gerada nas paredes do EmDrive. Como exemplo dessa possibilidade, podemos tentar entender esse fenômeno da seguinte forma: se depositarmos uma lanterna sobre uma balança, apontada para baixo, a balança registrará pesos diferentes para quando a lanterna estiver ligada, e quando desligada. É claro que será uma diferença infinitesimal, mas os fótons emitidos têm momento angular linear, e a 3ª Lei de Newton é implacável; “para toda ação há uma reação igual em sentido oposto”. Então, os fótons emitidos fazem com que a lanterna seja empurrada para trás, alterando o “peso” indicado. Comprovando isso, devemos lembrar que; a pressão da radiação eletromagnética solar tem que ser levada em conta nos cálculos de órbitas e trajetórias para as viagens espaciais, vez que, se não incluírem na computação o efeito da mesma, uma sonda para Marte chegaria ao destino com mais de 15 mil km fora da posição esperada.

Nos últimos tempos os resultados conseguidos por Shawyer vem sendo repetido por outros importantes e sérios pesquisadores, entre eles cientistas chineses e da NASA, que vem conseguindo ampliar a potência para o deslocamento.

Em 2002 Shawyer conseguiu produzir um equipamento com potência de 850 W, que gerava 16 milinewtons (mN) de propulsão (Um newton equivale a força exercida por uma massa de 102 g, na gravidade terrestre). Por volta de 2003 outro protótipo foi construído, com resultados mais eficientes. Em 2007 já conseguiam uma eficiência de 310 mN/quilowatt. Em 2009 cientistas da Northwestern Polytechnical University, na China, construíram seu próprio EmDrive, e produziram propulsão de 720 mN. Em 2010 já havia um protótipo de motor para ser testado em satélites, com propulsão de 326 mN. Todas essas pesquisas vem sendo devidamente publicadas.

Informações mais recentes afirmam que a NASA provou que, no vácuo, o EmDrive produz uma força de 1,2 millinewtons/quilowatt. Não seria “grande coisa”, vez que o Hall Thruster, um foguete avançado de plasma, produz 60 mN. Mas, como todo o foguete, o Hall Thruster precisa de um propelente, ou seja, gases à serem expelidos. E esses gases precisam ser carregados até o espaço, tornando o foguete muito pesado, e exigindo ainda mais gases para sair da órbita terrestre, e para as operações seguintes. Esse é o maior custo e o maior empecilho para as atuais viagens espaciais, principalmente as de longa distância.

O EmDrive está ainda em seus primeiros passos, mas afirmam que está provado que existe, que é real! E, talvez ele tenha um potencial bem maior, que ainda não conhecemos.

Também não é impossível que estejam erradas as pesquisas de Shawyer, da China e da NASA, além de outros que replicaram o experimento! Afinal, poderiam ter usado equipamentos imperfeitos de medição para mensurar evaporação, atração eletrostática, e muitas outras possibilidades! Mas também é possível que essa tecnologia seja realmente real.

E se de fato for real?

Aí “o bicho vai pegar”! Do total da massa dos foguetes espaciais, 99% é do combustível embarcado. É necessário acelerar muito no início da propulsão, e depois seguir “na banguela” (sem aceleração) até o destino. Com propulsão igual ao Motor Shawyer não precisaríamos de combustível! Usaríamos a energia elétrica, por meio de painéis solares, ou mesmo utilizando um reator nuclear, para projetar feixes de microondas em câmaras ressonantes!

Para a segunda geração desse motor pretendem usar supercondutores, para que as microondas ricocheteiem dentro do ressonador de forma milhares de vezes mais eficiente. Mesmo aplicando as limitações teóricas, um motor desses produziria forças na ordem de 0,93 toneladas por quilowatt (kW). Comparando, um motor de veículo pequeno, como um Fiat Uno de 1,0 L, consegue apenas 33 kW de potência. O conseguido pelo EmDrive daria para levitar o carro, mover uma hélice, acionar o ar-condicionado e conseguir várias outras operações.

Numa viagem interplanetária haveria aceleração continuada até metade do caminho, então começaria a desacelerar. O tempo até Marte não consumiria os 6 meses, ou pouco mais, hoje necessários! Provavelmente não passaria de uma semana (Algumas publicações divulgam 70 dias)! Acelerando continuamente à 1 G, resolveríamos os problemas causados por longo tempo em gravidade zero, e alcançaríamos velocidades só limitadas “por Einstein” (na velocidade da luz), e por nossos escudos de micrometeoritos.

Na Terra, até seu colchão poderia flutuar! Carros economizariam combustível, utilizando repulsores para diminuir o peso, vez que, em lugar de uma tonelada, os pneus só teriam que suportar 300 kg. Aviões não teriam mais que depender da “Teoria de Bernoulli” para voar; suas turbinas gerariam energia elétrica e propulsão horizontal, enquanto repulsores no casco gerariam a sustentação. Seria o fim das pistas, pois todo avião teria decolagem vertical.

E isto tudo será viável? Cientistas são muito conservadores, e ainda tem receio de fazer afirmações! A maioria dos críticos do EmDrive diz que “não funciona“, por não fazer sentido ao contrariar Newton e Einstein! Se não fossem os nomes sérios replicando o experimento, e constatando resultados positivos e “esquisitos”, ninguém daria a menor atenção para as alegações de Shawyer.

Por enquanto o mundo científico ainda está “desconfiado”, e tanto as pesquisas da NASA como as dos chineses estão sendo alvo de muita análise crítica, o que é bom, pois a ciência funciona assim!

Certamente, em breve futuro, teremos grandes novidades na ciência física! Terão que reescrevê-la? Ou apenas divulgarão declarações de equívocos, erros e falhas nas interpretações das experiências?

Paulo Dirceu Dias
paulodias@pdias.com.br
Sorocaba – SP