Educação – Reflexão

REFLEXÃO
A educação e nossos descendentes!

Os textos que seguem foram redigidos em agosto de 2015, após a leitura de alguns livros sobre sistemas educacionais modernizados e ousados. Posteriormente, em janeiro e em fevereiro de 2021, depois de ler outros livros com conteúdos similares e mais recentes, no final destes textos inseri adições que considerei importantes e relevantes, por tratarem do mesmo tema.

Considerando constatações nos últimos tempos, principalmente em leituras diversas, entre outras necessidades importantes acredito que o nosso método escolar terá que voltar suas aulas para o ensino e desenvolvimento do livre e criativo pensar, que leve os estudantes ao raciocínio, à crítica, ao aprender à aprender, ao apreender, em lugar dos famigerados “decorebas” e “ensinos engessados” ainda predominantes na atualidade.

Creio que devemos abandonar significativa parte das atuais práticas, que desconsideram, desvalorizam e inibem a capacidade intelectual que as nossas crianças e jovens naturalmente possuem, passando a valorizar o seu desenvolvimento, criatividade, desafio e inspiração crítica, em lugar do “embotamento” que estamos produzindo.

Experiências já foram realizadas em outros países, maiores e menores, algumas talvez infelizes, como as nossas, outras encontrando o caminho correto! Sendo assim, porque não aproveitarmos os sucessos? Qual a razão de não pesquisarmos os bons resultados já conseguidos, fazendo as adequações necessárias, e iniciarmos uma boa revolução produtiva no ensino brasileiro?

Além de já existirem alguns poucos e bons exemplos nacionais práticos nesse caminho, destaco algumas constatações identificadas em livros mais atuais, dentre aqueles que tive a oportunidade de ler. São edições que oferecem exemplos de iniciativas salutares, trazendo esperança de sucesso! Nelas são encontradas atividades louváveis, que podem ser aproveitadas para nosso uso. Como exemplos seguirão algumas citações, lembrando que, embora não destacadas nas edições a seguir comentadas, é importante lembrar que, em todos os níveis das escolas, a adoção das ciências e artes – estéticas e comunicativas – são parceiras indispensáveis da educação, em todos os sentidos e motivos que possam ser imaginados, principalmente em leitura, matemática e ciências.

Também observo que cultuo fortemente a ideia e proposta do ensino plenamente laico! Entretanto, se e enquanto for necessário atender e apaziguar os acentuados entendimentos contrários, deveremos então optar pelo ensino e estudo da religiosidade, sem influenciar e/ou direcionar para crenças ou descrenças específicas.

Além disso, considero também que seria plenamente salutar intensificar no nosso currículo educacional aulas voltadas à conscientização e ao ensino sobre os recursos e cuidados com a qualidade, preservação e manutenção do meio ambiente, da ecologia e dos recursos hídricos, pensando não apenas nos atos futuros dos estudantes, mas também, e principalmente, nos ensinamentos e “cobranças” que eles certamente transferirão às suas famílias e pessoas próximas.

Talvez devendo reduzir um pouco alguns possíveis exageros de nação que impôs carga horário diária provavelmente excessiva para as crianças e jovens nos seus estudos, as experiências de alguns países comprovaram que o investimento sério e forte na educação, à longo prazo, é infalível no desenvolvimento da melhor escola e da boa qualidade de vida de toda nação, bem como no seu natural e salutar bom crescimento e desenvolvimento ético, social, produtivo, econômico, financeiro e político.

As condições e trabalhos que levaram aos excelentes resultados foram intensamente pesquisadas e avaliadas na Finlândia, e nas nações que pioneiramente a espelharam, a Polônia e a Coréia do Sul, atualmente também novas superpotências da educação, especialmente comparando os resultados das três com os sistemas educacionais dos Estados Unidos da América e de alguns outros países, Brasil inclusive, pela jornalista norte-americana Amanda Ripley, colaboradora das revistas “Time” e “The Atlantic”, entre outras, com os resultados disponibilizados no livro “As crianças mais inteligentes do mundo e como elas chegaram lá”, traduzido no Brasil em 2014 pela Editora Três Estrelas.

Trata-se do resultado de ricas pesquisas a respeito da educação escolar, obtidas no acompanhamento das práticas dos alunos locais, associadas às experiências de estudantes norte-americanos que fizeram intercâmbio para estudo naqueles três países, as confrontando com avaliações de alunos americanos e estrangeiros nos EUA, estes também utilizando o sistema de intercâmbio. Os dados obtidos foram compilados, interpretados e comentados, nas pesquisas voltadas ao desempenho no estudo generalizado, focando principalmente em leitura, matemática e ciências, matérias avaliadas no internacional PISA – Programa Internacional de Avaliação de Alunos (“Programme for International Student Assessment”).

Como resultado, a autora descobriu as razões pelas quais as crianças e jovens daqueles três países, Finlândia principalmente, vem obtendo resultados e colocações superiores às das nações mais desenvolvidas e ricas do planeta, nos testes mundiais do PISA, com conclusões surpreendentes, que abalaram as ideias atualmente predominantes na formação dos alunos, no financiamento das escolas e, destacada e principalmente, na valoração e preparação dos professores, e nas políticas educacionais em seu todo.

Com revelações e propostas ousadas, esse livro tem que ser apreciado e intensamente avaliado por professores, educadores e gestores educacionais que se preocupam com o futuro das nossas crianças, bem como, também, por pais e alunos.

São tidas como declarações da escritora, Amanda Ripley, que; “(…) não conseguindo explicar o porquê dos EUA não mais serem a potência educacional mundial, mesmo depois de tantos esforços financeiros e intelectuais, decidi investigar os segredos das novas superpotências educacionais, conversando com gestores, diretores, professores e alunos na Finlândia, Polônia e Coréia do Sul, concluindo que, além de levarem muito mais a sério a preparação dos professores, os elevando à excelência, também voltaram a atenção fortemente na educação básica, intermediária e universitária, distribuindo melhor os investimentos e reduzindo para mínimos os sistemas de provas e exames coletivos, que “cobram” as metas de aprendizado em cada série. Essas mudanças ajudaram a aumentar as expectativas dos alunos e tornaram mais claras as prioridades para os professores, diretores e pais, estimulando-os nos novos caminhos”.

Em recente entrevista publicada, Amanda Ripley diz que; “Nos EUA os gastos por alunos foram dobrados em décadas recentes, mas quase não houve melhora no aprendizado dos alunos. Se fosse possível ter um sistema educacional melhor apenas com dinheiro, já teriam feito isso há muito tempo. Há uma realidade objetiva em educação: como gastamos o dinheiro importa mais do que quanto gastamos! Mais do que o dinheiro investido, importa a qualidade dos gestores, a formação aprimorada e valorizada dos professores e diretores, e como os pais conseguem interagir para ajudar aos filhos”.

Editado em 2015 por Cláudio de Moura e Castro, economista, professor em várias universidades e especialista em educação, também tradicional colunista da revista “Veja”, o livro “Você Sabe Estudar?”, lançado pela Penso Editora, traz interessantes avaliações, conclusões e ensinamentos que abordam técnicas no desenvolvimento de hábitos para conseguir estudar com métodos que resultem em aprendizado simples e duradouro, que podem enriquecer os mestres para suas orientações nas aulas, desde os primeiros passos dos alunos até o ambiente acadêmico, com sistemas e ideias absorvidas em longas experiências do autor. É igualmente importante para alunos e pais.

Desconsiderando algumas formas mais radicais utilizadas na exposição de suas ideias, com alguns extravasamentos emotivos perfeitamente compreendidos ao longo da leitura, é impossível não levar a sério as importantes contribuições trazidas pelo Professor Pierluigi Piazzi, mais conhecido como “Professor Pier”, recentemente falecido, que escreveu sequencialmente os livros: a) “Aprendendo Inteligência”, 2007; b) “Estimulando Inteligência”, 2008; c) “Ensinando Inteligência”, 2009; e d) “Inteligência em Concursos”, 2013, todos da Editora Aleph. A sua ampla experiência, obtida na dedicação de sua vida às aulas, indica sólidos caminhos didáticos, que com destaque podem ser aproveitados por nossos professores, educadores, gestores e, novamente, por pais e alunos.

Formado em Física e Química, o Professor Pier ministrava aulas nas duas cátedras. Especialista em informática, também foi professor de diversos cursos avançados nessa área, lecionando Inteligência Artificial e Configuração de Redes Neurais, principalmente em cursos de Engenharia da Computação. Uma das especialidades, que lhe deu grande destaque e respeito, foi a de professor de cursinhos, nos quais preparou com inigualável sucesso alguns milhares de alunos para o vestibular. Além disso, com grande frequência realizava concorridas palestras, pregando suas experiências na área do ensino e do aprendizado de alta assimilação e produtividade.

Aliando sua longa experiência como professor, aos múltiplos conhecimentos adquiridos, identificou sérias falhas no nosso sistema educacional, passando a estudar e aplicar métodos para corrigir esses erros. Seus ensinamentos, às vezes radicais, são importantes e devem ser analisados e seriamente considerados pelos professores, educadores e gestores que objetivam um futuro mais produtivo para a nossa educação.

Outro de seus contundentes métodos está na utilização de técnicas, sistemas de ensino e, principalmente, de estudos, que levam à percepção e assimilação duradoura dos ensinamentos cooptados, além de, com ênfase, valorizar e induzir os alunos ao raciocínio, à criatividade e, com senso crítico, ao desafio inovador.

Coincidente com o sistema depois também constatado e demonstrado pela Amanda Ripley, alguns anos após a edição dos quatro livros do Professor Pier, é importante e altamente coerente a sua opinião e ardorosa defesa de que, como acontece nos “cursinhos”, que preparam o aluno para os vestibulares das escolas superiores, os nossos professores e diretores necessitam ter, além de vigorosa reorientação, maior liberdade e mais criatividade no ensino, e serem destituídos da obrigação de realizar avaliações e “cobranças” feitas por provas e exames, que devem ser aplicados apenas em momentos oportunos e pelo sistema geral de educação, de forma clara, objetiva e independente das escolas, em tempo e momento adequados, neles exigindo apenas e somente o raciocínio e a forma de como utilizar o aprendido, preferencialmente apenas com abordagem de leitura, matemática e ciências, e não o que foi apenas “decorado”. Afirmava ele, e depois também a Ripley, que, entre outros sistemas também úteis, a independência na aplicação dos métodos de ensino, além de melhor organizar o trabalho dos professores, lhes oferecendo mais tempo e maior responsabilidade no ensino, esse sistema potencializa o aproveitamento e o rendimento dos alunos, professores, educadores e diretores.

Não há dúvidas de que outros bons livros existem; antigos, novos, tradicionais e ainda em edição. Importantes constatações, sugestões e ensinamentos estão e estarão disponíveis ao serem tomadas novas atitudes fortes e coerentes.

Certamente muitos importantes e capazes professores e educadores estão atualmente dispersados por nossa nação, provavelmente desanimados pelas tristes experiências das últimas décadas, mas também esperançosos em conseguir aproveitar oportunidades que se lhes ofereçam, para contribuírem com bem vindas experiências de vida na instrução e na transferência de conhecimentos.

Quero acreditar que, talvez, até alguns políticos e gestores públicos sérios ainda estejam ou se tornem disponíveis, de forma que possam auxiliar para o início e desenvolvimento desse caminho.

Nossas crianças e jovens merecem oportunidades melhores que as que estamos agora oferecendo! Ao conseguirmos investir na boa qualidade do ensino, iniciando na base, com nossos pequeninos, estaremos assegurando para eles uma vida promissora, de boa qualidade e feliz. E, a longo prazo, até mesmo sendo “um tanto interesseiros”, por meio deles estaremos garantindo ao nosso país um futuro produtivo e feliz, com crescimento e progresso positivos na vida ética, social, econômica, financeira e, até mesmo política!

Não vejo outra saída: temos que cuidar das nossas crianças e jovens, e do futuro da nação, por meio do correto e salutar investimento na educação e cultura, com fortes correções de rumo!

INCLUSÕES EM JANEIRO E FEVEREIRO DE 2021: outros livros, lidos mais recentemente, são igualmente e/ou mais importantes. O indicado no primeiro link (*), é o principal deles, sobre o tema abordado.

Livro – *“Lições Finlandesas”
Comentários e detalhes do sistema
finlandês de educação, atualmente
considerado o melhor do planeta*

Livro – “Made In Macaíba”
Miguel Nicolélis
A realização de projeto
inicialmente visto como utopia

Livro “As Crianças Mais Inteligentes do
Mundo – E como chegaram lá”

Livros – Quatro livros de Pierluigi
Piazzi, o “Professor Pier”

Conheça outros livros que também serviram como base para os comentários anteriores, em: Livros.

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Até a metade do século XX a Finlândia estava entre as nações mais pobres do planeta, com enormes dificuldades em tudo! Acreditando no potencial e força da educação, os dirigentes e gestores da nação iniciaram planejamentos e propostas ousadas para seu aprimoramento, com maior intensidade nos anos 1963 e seguintes, conseguindo aprovações e iniciando as aplicações práticas em 1967, com foco principal na valorização profissional dos professoresSÓ GANHARAM COM ISSO.

Nas avaliações da ONU e outros órgãos internacionais, nos últimos tempos a Finlândia é classificada conforme segue.

      • Na educação, é a sexta colocada.
      • Na inovação, a quarta colocada.
      • Em competitividade, quarta colocada.
      • Como nação menos corrupta do planeta, é a terceira colocada.
      • No índice mundial da Justiça, quarta colocada.
      • Na melhor qualidade da democracia, quarta colocada.
      • É um dos países mais igualitários do mundo.
      • É o sexto país mais feliz do planeta.

No PISA – Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Programme for International Student Assessment), que avalia o desempenho dos estudantes em leituramatemática e ciênciasos alunos finlandeses sempre estão entre os primeiros, juntamente com estudantes de outras nações que se espelharam no sistema educacional finlandês, e também venceram!

A Finlândia tem hoje o melhor sistema educacional do planeta. Em apenas 06m38s, assista ao vídeo com mais detalhes.

Paulo Dirceu Dias
paulodias@pdias.com.br
Sorocaba – SP
Agosto de 2015, com adições em janeiro e fevereiro de 2021.