Educação – Reflexão

REFLEXÃO: a educação e nossos descendentes!

Considerando constatações nos últimos tempos e leituras diversas, acredito que o nosso ensino terá que voltar suas aulas para o desenvolvimento do livre e criativo pensar, que levem ao raciocínio, à crítica, ao aprender à aprender, ao apreender, em lugar dos famigerados “decorebas” e “ensinos engessados” ainda predominantes na atualidade. Creio que devemos abandonar significativa parte das atuais práticas, que desconsideram, desvalorizam e inibem a capacidade intelectual que as nossas crianças e jovens naturalmente possuem, passando a valorizar o seu desenvolvimento, criatividade, desafio e inspiração crítica, em lugar do “embotamento” que estamos produzindo.

Experiências já foram realizadas em outros países, maiores e menores, algumas infelizes, outras encontrando o caminho correto! Porque não aproveitarmos os sucessos? Qual a razão de não pesquisarmos os bons resultados, fazendo as adequações necessárias, e iniciarmos uma revolução no ensino brasileiro?

Além de existirem alguns bons exemplos nacionais práticos nesse caminho, destaco algumas constatações identificadas em livros mais atuais, dentre aqueles que tive a oportunidade de ler. São diversas as edições que oferecem exemplos de iniciativas salutares, trazendo esperança de sucesso! Nelas são encontradas atividades louváveis, que podem ser aproveitadas ao nosso uso. Como exemplos seguirão algumas citações, lembrando que, embora não destacadas nas edições a seguir comentadas, é importante lembrar que, em todos os níveis das escolas, a adoção das artes – estéticas e comunicativas – são parceiras indispensáveis da educação, em todos os sentidos e motivos que possam ser imaginados. Também observo que cultuo fortemente a ideia e proposta do ensino plenamente laico, entretanto, se necessário atender e apaziguar os acentuados entendimentos contrários, deveremos então optar pelo ensino e estudo da religiosidade, sem influenciar e direcionar para crenças ou descrenças específicas.

Além disso, considero ainda que seria plenamente salutar intensificar no currículo disciplinar oficial aulas especialmente voltadas à conscientização e ao ensino sobre os recursos e cuidados com a qualidade, manutenção e preservação do meio ambiente, da ecologia e dos recursos hídricos, pensando não apenas nos atos futuros dos estudantes, mas também nos ensinamentos e “cobranças” que eles certamente transferirão às suas famílias e pessoas próximas.

Talvez devendo reduzir um pouco alguns possíveis exageros observados na imposição das cargas diárias exigidas dos jovens para seus estudos, as experiências de alguns países comprovaram que o investimento sério e forte na educação é infalível no desenvolvimento da melhor escola e da boa qualidade de vida de toda nação, bem como no seu salutar crescimento ético, social, produtivo, econômico, financeiro e político. As condições e trabalhos que levaram a tais situações foram intensamente pesquisadas e avaliadas, principalmente na Finlândia, Polônia e Coréia do Sul, novas superpotências da educação, comparando-as com as dos Estados Unidos da América e de alguns outros países, Brasil inclusive, pela jornalista norte-americana Amanda Ripley, colaboradora das revistas “Time” e “The Atlantic”, entre outras, com os resultados disponibilizados no livro “As crianças mais inteligentes do mundo e como elas chegaram lá”, traduzido no Brasil em 2014 pela Editora Três Estrelas.

Trata-se do resultado de ricas pesquisas a respeito da educação escolar, obtidas no acompanhamento das práticas dos alunos locais, associadas às experiências de estudantes norte-americanos que fizeram intercâmbio para estudo naqueles três países, confrontando-as com as avaliações de alunos americanos e estrangeiros nos EUA, estes também utilizando o sistema de intercâmbio. Os dados obtidos foram compilados, interpretados e comentados, nas pesquisas voltadas ao desempenho no estudo generalizado, mas focando principalmente matemática, ciências e leitura, matérias avaliadas no mundial PISA – Programa Internacional de Avaliação de Alunos (“Programme for International Student Assessment”).

Como resultado, a autora descobriu as razões pelas quais as crianças daqueles três países vem obtendo notas superiores às das nações mais desenvolvidas e ricas do planeta, nos testes mundiais do PISA, com conclusões surpreendentes, que abalaram as ideias atualmente predominantes na formação dos alunos, no financiamento das escolas, na preparação e valoração dos professores e nas políticas educacionais em seu todo. Com revelações e propostas audaciosas, este livro tem que ser apreciado e intensamente avaliado por educadores e gestores educacionais que se preocupam com o futuro das crianças, bem como, também, por pais e alunos.

São tidas como declarações da escritora, Amanda Ripley, que, não conseguindo explicar o porquê dos EUA não serem mais a potência educacional mundial, mesmo depois de tantos esforços financeiros e intelectuais, decidiu investigar os segredos das novas superpotências educacionais, conversando com gestores, diretores, professores e alunos na Finlândia, Polônia e Coréia, concluindo que, além de levarem muito mais a sério a preparação dos professores, elevando-os à excelência, também investiram pesado na educação básica, intermediária e universitária, distribuíram melhor os investimentos e, de forma independente das escolas que ensinam, estabeleceram sistemas de provas e exames coletivos, que “cobram” as metas de aprendizado em cada série. Realizadas em conjunto, as mudanças ajudaram a aumentar as expectativas dos alunos e tornaram mais claras as prioridades para os professores, diretores e pais, estimulando-os nos novos caminhos.

Em recente entrevista publicada, diz ela que; “Nos EUA os gastos por alunos foram dobrados em décadas recentes, mas quase não houve melhora no aprendizado dos alunos. Se fosse possível ter um sistema educacional melhor apenas com dinheiro, já teriam feito isso há muito tempo. Há uma realidade objetiva em educação: como gastamos o dinheiro importa mais do que quanto gastamos! Mais do que o dinheiro investido, importa a qualidade dos gestores, a formação aprimorada dos professores e diretores, e como os pais conseguem interagir para ajudar aos filhos”.

Editado neste ano, 2015, por Cláudio de Moura e Castro, economista, professor em várias universidades e especialista em educação, também tradicional colunista da revista “Veja”, o livro “Você Sabe Estudar?”, lançado pela Penso Editora, traz interessantes avaliações, conclusões e ensinamentos que abordam técnicas no desenvolvimento de hábitos para conseguir estudar com métodos que resultem em aprendizado simples e duradouro, que podem enriquecer os mestres para suas orientações nas aulas, desde os primeiros passos dos alunos até o ambiente acadêmico, com sistemas e ideias absorvidas em longas experiências do autor. É igualmente importante para alunos e pais.

Desconsiderando algumas formas mais radicais utilizadas na exposição de suas ideias, com alguns extravasamentos perfeitamente compreendidos ao longo da leitura, é impossível não levar a sério as importantes contribuições trazidas pelo Professor Pierluigi Piazzi, mais conhecido como “Professor Pier”, recentemente falecido, que escreveu sequencialmente os livros: a) “Aprendendo Inteligência”, 2007; b) “Estimulando Inteligência”, 2008; c) “Ensinando Inteligência”, 2009; e d) “Inteligência em Concursos”, 2013, todos da Editora Aleph. A sua ampla experiência, obtida na dedicação de sua vida às aulas, indica sólidos caminhos didáticos, que com destaque podem ser aproveitados por nossos educadores, gestores e, novamente, por pais e alunos.

Formado em Física e Química, ele ministrava aulas nas duas cátedras. Especialista em informática, também foi professor de diversos cursos avançados nessa área, lecionando Inteligência Artificial e Configuração de Redes Neurais, principalmente em cursos de Engenharia da Computação. Uma das especialidades, que lhe deu grande destaque e respeito, foi a de professor de cursinhos, nos quais preparou com inigualável sucesso alguns milhares de alunos para o vestibular. Além disso, com grande frequência realizava concorridas palestras, pregando suas experiências na área do ensino e do aprendizado de alta assimilação e produtividade.

Aliando sua longa experiência como professor, aos múltiplos conhecimentos adquiridos, identificou sérias falhas no nosso sistema educacional, passando a estudar e aplicar métodos para corrigir esses erros. Seus ensinamentos, às vezes radicais, são importantes e devem ser analisados e seriamente considerados pelos educadores e gestores que objetivam um futuro mais produtivo para a nossa educação.

Outro de seus contundentes métodos está na utilização de técnicas, sistemas de ensino e, principalmente, de estudos, que levam à percepção e assimilação duradoura dos ensinamentos cooptados, além de, com ênfase, valorizar e induzir os alunos ao raciocínio, à criatividade e, com senso crítico, ao desafio inovador.

Coincidente com o sistema depois também constatado e demonstrado pela Amanda Ripley, alguns anos após a edição dos quatro livros do Professor Pier, é importante e altamente coerente a sua opinião e ardorosa defesa de que, como acontece nos “cursinhos”, que preparam o aluno para os vestibulares das escolas superiores, os nossos diretores e professores, estes principalmente, necessitam ter, além de vigorosa reorientação, maior liberdade e mais criatividade no ensino, e serem destituídos da obrigação de realizar avaliações e “cobranças” feitas por provas e exames, que devem ser aplicados pelo sistema geral de educação, de forma clara, objetiva e independente das escolas, em todos os níveis, do básico ao superior, em espécies de “ENEM” ou “Vestibular”, adequados à cada nível, neles exigindo o raciocínio e a forma de utilizar o aprendido, e não o que foi apenas “decorado”. Afirmava ele, e depois também a Ripley, que, entre outros métodos também úteis, a independência na aplicação dos exames e provas, além de melhor organizar o trabalho dos educadores, lhes oferecendo mais tempo e maior responsabilidade no ensino, esse sistema potencializa o aproveitamento e o rendimento dos alunos, professores e diretores.

Não há dúvidas de que outros bons livros existem; antigos, novos, tradicionais e ainda em edição. Importantes constatações, sugestões e ensinamentos estão e estarão disponíveis ao serem tomadas novas atitudes fortes e coerentes. Certamente muitos importantes e capazes educadores estão atualmente dispersados pelo nosso país, provavelmente desanimados pelas tristes experiências das últimas décadas, mas também esperançosos em conseguir aproveitar oportunidades que se lhes ofereçam, para contribuírem com bem vindas experiências de vida, instrução e transferência de conhecimentos.

Quero acreditar que, talvez, até alguns políticos e gestores públicos sérios ainda estejam ou se tornem disponíveis, de forma que possam auxiliar para o início e desenvolvimento desse caminho.

Nossas crianças e jovens merecem oportunidades melhores que as que estamos agora oferecendo! Ao conseguirmos investir na boa qualidade do ensino, iniciando na base, com nossos pequeninos, estaremos assegurando para eles uma vida promissora e de boa qualidade. E, a longo prazo, até mesmo sendo “interesseiros”, por meio deles estaremos garantindo ao nosso país um futuro produtivo, com crescimento e progresso positivos na vida ética, social, econômica, financeira e, até mesmo, política!

Não vejo outra saída: temos que cuidar dos nossos jovens e do futuro da nação por meio do correto e salutar investimento na educação e cultura, com fortes correções de rumo!

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Paulo Dirceu Dias
paulodias@pdias.com.br
Sorocaba – SP