Derrame – Reconhecendo e Providenciando Socorro

Com base em matérias que circulam na mídia, Internet inclusive, transcrevemos informações que consideramos relevantes.

Os comentários seguintes servem apenas como alerta e orientação generalizada.

A automedicação pode originar agravamentos. Nunca deixe de consultar seu médico.

Derrame, ou “AVC”, o que é?

Derrame, ou Acidente Vascular Cerebral (AVC), de acordo com o Dicionário Aurélio é o acúmulo de líquidos ou gases em cavidade natural ou acidental. Outras fontes afirmam que grande parte dos derrames tem como causa a coagulação do sangue que, obstruindo a circulação, origina a trombose cerebral e embolia cerebral, com incidência geralmente ampliada com o avanço da idade. Indicam ainda que, outros, constituídos dos derrames hemorrágicos, são de menor frequência e, geralmente, mais severos. Relatam ainda que, o derrame hemorrágico cerebral ocorre quando neste uma artéria enfraquecida rompe-se, interrompendo o fluxo de sangue para algumas células e, ao mesmo tempo, danificando outras com a pressão exercida pela hemorragia.

As imagens seguintes mostram exemplos de derrames trombótico, embólico e hemorragia intracraniana.

“Clicar” sobre a imagem amplia a exibição.

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Matéria publicada na mídia jornalística.

Sobre o AVC, os comentários seguintes foram publicados no jornal “O Estado do Paraná”.

Conhecido popularmente como “derrame cerebral”, o Acidente Vascular Cerebral (AVC) é a uma das principais causas de morte e de incapacitação física em todo o mundo. No Brasil, conforme dados do Ministério da Saúde, o AVC é a principal causa de morte, ultrapassando o infarto.

Muitas vezes fatal, ou resultando em graves sequelas, o AVC, ou simplesmente derrame cerebral, vem sendo exaustivamente pesquisado, pois é hoje uma das principais causas de morte e de incapacitação física em todo o mundo. No Brasil, conforme dados do Ministério da Saúde, o derrame é a principal causa de morte, ultrapassando o infarto. Sua elevada incidência se deve ao aumento da expectativa de vida e a hábitos inadequados da população brasileira. Avanços científicos no tratamento e prevenção do AVC dão esperanças ao combate do derrame e também da sua recorrência cuja repercussão pode ser ainda mais grave que no primeiro caso.

O acidente vascular cerebral acontece quando as artérias carótidas (vasos do pescoço que levam sangue para o cérebro) ficam “entupidas” por placas de aterosclerose – restos de gordura, de cálcio, de coágulos sanguíneos, etc. – que, de tempos em tempos podem desprender “pedaços” – chamados êmbolos -, que vão para o cérebro, onde entopem vasos menores. A falta de circulação “mata” as células que receberiam sangue. Dependendo do local onde isso ocorre, o paciente sofrerá sequelas maiores ou menores, podendo até mesmo falecer.

A melhor maneira de combater o AVC é a prevenção. Segundo o Dr. Eli Faria Evaristo, neurologista do Serviço de Neurologia de Emergência do Hospital das Clínicas, em São Paulo, a incidência da doença pode ser reduzida drasticamente com uma medida relativamente simples: controlar os fatores de risco para AVC, como a hipertensão arterial, diabetes, tabagismo, aumento do colesterol e triglicérides, alcoolismo e arritmias cardíacas. “O AVC traz um profundo impacto na qualidade de vida dos pacientes pelas graves seqüelas físicas e mentais que pode causar; leva a um impacto econômico, pois compromete a vida produtiva dos pacientes, além de gerar custos elevados no cuidado dos mesmos; tem impacto social, pois interfere profundamente na dinâmica familiar e da sociedade em que o paciente vive”, afirma o Dr. Eli.

Quem já sofreu um derrame, além das possíveis sequelas e limitações físicas, pode apresentar sério risco de sofrer um novo AVC ou complicações cardiovasculares. “Nos Estados Unidos existem 5 milhões de sobreviventes de AVC e estima-se pelo menos a metade desse número no Brasil. Dos sobreviventes de AVC, 40% apresentam sequela moderada ou grave e 25% mantêm algum grau de limitação física e/ou mental. Somente 10% não apresentam indícios aparentes desse tipo de evento”, afirma o Dr. Jairo Lins Borges, cardiologista do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, em São Paulo. Segundo um importante estudo publicado na revista Stroke, a mortalidade do AVC pode chegar a 80% em dez anos, principalmente por AVC recorrente e causas cardiovasculares. Por isso, é preciso tomar uma série de medidas para a prevenção da reincidência.

“Em geral, os fatores de risco para a recorrência de um AVC são os mesmos da primeira ocorrência, embora muitas vezes se apresentem em grau mais intenso. Além disso, as próprias sequelas do AVC ocorrido anteriormente podem dificultar a aplicação das medidas terapêuticas ideais”, explica o Dr. Eli. Adiciona-se ao controle dos fatores de risco o uso de medicamentos, que, segundo o médico, são escolhidos dependendo do mecanismo causador do AVC.

Um estudo recente publicado na revista norte-americana Stroke demonstrou que o medicamento Cilostazol é eficaz para inibir a progressão e induzir à regressão de placas de aterosclerose em artérias cerebrais de pacientes com doença cerebrovascular sintomática – após ocorrência de AVC ou ameaça de AVC -. Outro grande estudo mostrou que o Cilostazol reduz em 42% o risco de AVC recorrente. As diretrizes japonesas sobre prevenção de AVC consideram o Cilostazol como alternativa à aspirina na prevenção da recorrência do AVC.

O medicamento apresenta ainda outros importantes efeitos, como redução de 15% dos níveis de triglicérides, aumento de 10% nos níveis do bom colesterol (HDL), diminuição do desenvolvimento de aterosclerose na parede das artérias (agente anti-aterosclerótico) e proteção das células cerebrais.

Lembre-se; o uso de qualquer medicamento exige prévia avaliação e prescrição médica. Consulte o seu médico.

Exemplo popular.

Como exemplo ilustrativo, segue relato de ocorrência divulgada como real e bastante parecida com a maioria dos casos. Desconhecemos se trata-se de caso real ou de simples simulação.

“Durante um churrasco uma jovem senhora caiu. Socorrida, assegurou à todos que havia apenas tropeçado e estava bem, recusando a procura de médico, sugerida em função de estar aparentando algum tipo de indisposição, mas não o suficiente para impor tal providência. Parecendo um pouco agitada aproveitou o resto da tarde, depois seguindo para sua residência. Mais tarde souberam que havia piorado e tinha sido hospitalizada, vindo a falecer poucas horas depois. O diagnóstico apontou um derrame como causa. As avaliações do caso indicaram claramente que, se houvesse sido examinada logo após a indisposição inicial, com certeza estaria viva e em perfeitas condições de saúde!”

Prevenção e tratamento.

Com o tratamento adequado, socorrido há tempo o paciente que sofre um derrame será recuperado e não lhe restarão sequelas. Para isso acontecer, é necessário que os sintomas básicos que identificam a ocorrência do derrame sejam prontamente reconhecidos, encaminhando o paciente para atendimento médico, preferivelmente até 3 (três) horas seguintes, pois, a partir desse período o quadro se agravará consideravelmente.

Reconhecendo os sintomas.

Ao suspeitar de anormalidade, converse naturalmente com o paciente solicitando alguns movimentos e respostas, observando suas reações:

  1. Sorria.
  2. Levante os braços.
  3. Qual o seu nome completo e data de aniversário? Ou outra pergunta qualquer, que force a formulação de uma sentença simples.

O paciente que sofre derrame tem enfraquecimento dos músculos faciais, dificultando a contração para sorrir, e dos músculos dos braços, dificultando sua elevação, e encontra dificuldades para formular sentenças coerentes.

Portanto, observando reações e respostas aquém das normais e/ou vagas, procure imediatamente um médico. Provavelmente uma vida será salva ou sérias sequelas serão evitadas.

Consulte o seu médico, sempre.

Paulo Dirceu Dias
paulodias@pdias.com.br
Sorocaba – SP