Raios ascendentes

Os “raios ascendentes”, “raios do contra” ou “raios artificiais”, acontecem, mas dependem de construções humanas!

Ocorrem quando uma nuvem de tempestade – Cumulonimbus – com base baixa se aproxima de local alto, uma montanha ou elevação significativa, que tenha algum tipo de estrutura metálica, como uma torre de transmissão de sinal de TV. Nessa condição a estrutura metálica funciona como canal para a carga elétrica, que então vai do solo para a nuvem, acontecendo o raio ascendente.

É acontecimento incomum, mas não tão raro. Apenas 1% – aproximadamente – dos raios sobem em vez de descer! No Brasil são mais comuns, em razão de nosso continente ser um dos “campeões” mundiais na ocorrência de descargas elétricas na forma de raios.

Em janeiro de 2016 eles foram registrados no Pico do Jaraguá, na cidade de São Paulo, em dia que aconteceram três deles em apenas seis minutos, número considerado bastante alto. Foram gravados por câmaras especiais ali instaladas exatamente para captar essas ocorrências. Aprecie o fenômeno no vídeo seguinte, exibido em câmara lenta.

Paulo Dirceu Dias
paulodias@pdias.com.br
Sorocaba – SP
28.11.2016.

Mais dois hospitais de câncer com atendimentos pelo SUS em Cascavel e Umuarama

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Em 05m33s de vídeo, conheça importantes informações: em Cascavel e Umuarama, no Paraná, dois novos hospitais privados, da UOPECCAN – União Oeste Paranaense de Estudos e Combate ao Câncer, especializados no tratamento do câncer, realizam 90% (noventa por cento) de seus atendimentos pelo SUS.

São mais duas instituições de saúde que seguem os exemplos do ótimo e perfeito Hospital de Câncer de Barretos, SP. Conheça a seguir o vídeo exibido em 25.11.16, pela da GloboNews.

O que esperam os gestores da saúde pública de Sorocaba e região para visitarem Barretos, SP, e agora também Cascavel e Umuarama, PR, para aprender e apreender o que e como fazer, para melhorar o atendimento da saúde pública em nossa cidade e região?

Para saber mais sobre o excelente Hospital de Câncer de Barretos, conheça a descrição de acontecimentos constatados no uso do mesmo, pelo link: O Hospital de Câncer de Barretos, SP – Uma experiência inusitada.

Paulo Dirceu Dias
paulodias@pdias.com.br
Sorocaba – SP
26.11.2016

Os trambiqueiros do Temer

trambiqueiros

Em poucos meses de governo o hoje Presidente da República, Michel Temer, foi obrigado a trocar 6 (seis) ministros, 5 (cinco) deles por envolvimentos em atos ilegais. A seguir, conheça todos.

Os “Tranqueiras”

Romero Jucá

Pasta: Planejamento

Por que caiu: se licenciou do governo após ser gravado falando em pacto para “estancar a sangria” e deter avanço da Operação Lava Jato.

Substituído por: Dyogo Oliveira (interino)

Data: 23.maio.2016

Fabiano Silveira

Pasta: Transparência, Fiscalização e Controle

Por que caiu: pediu demissão após ser gravado orientando o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) a atuar nos procedimentos em que é investigado na Lava Jato.

Substituído por: Torquato Jardim

Data: 30.maio.2016

Henrique Alves

Pasta: Turismo

Por que caiu: pediu demissão após ser citado em delação premiada do ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, que disse ter repassado R$ 1,55 milhão em propina ao ex-ministro entre 2008 e 2014.

Substituído por: Marx Beltrão

Data: 16.junho.2016

Fábio Medina Osório

Pasta: Advocacia-Geral da União

Por que caiu: foi demitido após embate com o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, em função de pedido de acesso a inquéritos da Lava Jato que o advogado fez ao STF – Supremo Tribunal Federal.

Substituído por: Grace Mendonça

Data: 9.setembro.2016

Geddel Vieira Lima

Pasta: Secretaria de Governo

Por que caiu: pediu demissão após se envolver em uma crise política, acusado pelo ex-ministro da Cultura, Marcelo Calero, de tê-lo pressionado a liberar a construção de um prédio onde o ministro da Secretaria de Governo adquiriu apartamento.

Substituído por: (ainda não há substituto)

Data: 25.novembro.2016

O “Protagonista”

Marcelo Calero

Pasta: Cultura

Por que caiu: pediu demissão, afirmando que o motivo era a pressão exercida pelo colega de Esplanada, Geddel Vieira Lima, para que o IPHAN liberasse irregularmente a construção de um prédio, onde ele havia adquirido apartamento.

Substituído por: Roberto Freire

Data: 18.novembro.2016

Paulo Dirceu Dias
paulodias@pdias.com.br
Sorocaba – SP

Microburst grave ocorrência meteorológica

Microburst – “Explosão de Vento” – Grave ocorrência meteorológica

Um fenômeno meteorológico incomum, mas não raro, hoje identificado como Microburst, ou “Explosão de Vento”, produzido por nuvens de tempestades, chamadas de Cumulonimbus, em razão da coincidência no acontecimento de complexas ocorrências que combinam alta umidade com significativa e rápida variação de temperatura, pressão e densidade, ocorre quando um grande volume de ar é repentinamente impelido em direção à superfície, quando muito baixo “estourando” contra o solo e “esparramando-se” em área que pode atingir até aproximadamente 4 km no entorno.

Hoje, com as modernas tecnologias utilizadas pela meteorologia, aeronáutica principalmente, uma ocorrência como essa é geralmente evitada preventivamente. Mas, até há pouco tempo era imprevisível, e trazia sérias consequências.

Para aviões que estão voando cruzeiro, em altos níveis de voo, ao deparar com tal ocorrência em altitude, esse fenômeno causa oscilações desconfortáveis aos passageiros e tripulantes, com intensidades variáveis de acordo com a gravidade do fenômeno, mas, geralmente não graves. Entretanto, quando envolve uma aeronave pousando ou decolando, portanto em baixa altura e com baixa velocidade, principalmente quando acontece de forma rápida e não prevista, essa ocorrência pode surpreender a tripulação e causar incidentes ou acidentes, leves ou graves.

A seguir assista uma ótima dramatização em vídeo, criada pela “Smithsonian Channel”, produtora de programas científicos que exploram ciência, natureza e cultura, neste exibindo simulações que relatam ocorrência verdadeira, acontecida com avião da Delta Airlines quando em aproximação para pouso.

No vídeo seguinte, assista também uma filmagem urbana, em brevíssima ocorrência de pequena intensidade, desse fenômeno Microburst, ou “Explosão de Vento”.

Em 01m26s assista agora à vídeo de ocorrência verdadeira de Microburst, editado para melhor exibir o fenômeno. Para noção das dimensões atingidas, observe os tamanhos das casas e prédios mostrados no filme. A nuvem filmada é a de tempestade, classificada como Cumuloninbus, aqui mostrada apenas em sua “base” (porção inferior).

Paulo Dirceu Dias
paulodias@pdias.com.br
Sorocaba – SP

A farra continua

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A farra continua

Segue a reprodução integral de editorial do Jornal Cruzeiro do Sul, de Sorocaba e região, em publicação do dia 13.11.2016 – Equipe Online: online@jcruzeiro.com.br – (São meus os destaque em negritos).

Em meio a uma das crises mais profundas da história recente do Brasil, o governo do presidente Michel Temer (PMDB) já encaminha “remédios amargos” na tentativa de reverter a situação que castiga os brasileiros com desemprego, saúde e educação precárias, falta de horizontes, entre outras dificuldades gigantescas.

Nesse cenário, na contramão do sacrifício imposto à população, a leitura rotineira de jornais, revistas e sites de notícias nos últimos dias estampa informações sobre a classe política que despertam sentimentos de revolta, indignação, perplexidade. A mesma classe política que já costura em Brasília pacotes com medidas para limitar os gastos públicos, como se tal limitação não significasse o equivalente ao congelamento do caos, não dá o exemplo da austeridade usada como justificativa para apertar os cintos dos cidadãos.

Por exemplo, o Senado celebrou contrato de R$ 283 mil com a empresa JDC Engenharia para a execução de reforma no gabinete do senador Romero Jucá (PMDB-RR). O extrato do contrato está publicado no Diário Oficial da União da última segunda-feira. Jucá foi escolhido por Temer para substituir a senadora Rose de Freitas (PMDB-ES) na vaga de líder do governo no Congresso.

Também na mesma segunda-feira, no Palácio do Planalto, em meio à crise econômica e ao esforço para aprovar no Congresso um teto para limitar os gastos públicos, o governo Michel Temer desembolsou, sem licitação, mais de R$ 500 mil para promover um show para convidados em homenagem ao centenário do samba. Naquele dia, o Diário Oficial publicou duas dispensas de licitação para contratação de artistas que se apresentaram na cerimônia da Ordem do Mérito Cultural, na qual foram premiadas 36 personalidades do samba.

De quebra, na semana marcada pelo feriado de Finados, um grupo de seis deputados federais viajou para uma visita às instalações de esporte de alto rendimento na Nova Zelândia. O roteiro incluiu passagem por Sydney e Camberra, na Austrália, para contatos com organizações esportivas. Qual o sentido desses contatos após as Olimpíadas do Rio? Já o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), viajou ao Azerbaijão para reuniões com autoridades do setor petrolífero.

Aliás, a semana de Finados foi simbólica como retrato do Brasil. Com a data encravada numa quarta-feira, os deputados e senadores não tiveram dúvida: enforcaram as sessões ordinárias na semana que tradicionalmente eles fazem durar de terça a quinta-feira.

Enquanto isso, o Ministério da Defesa lançou na semana passada licitação para eventual gasto de quase R$ 500 mil com brindes para o Comando da 8ª Brigada de Infantaria Motorizada. Entre vários itens, prevê-se dedicar R$ 39 mil só para kits de churrasco — cinco espetos e um garfão, tudo em aço inox, com cabo de osso caneta de avestruz, em estojo de lona verde-oliva, bordado com logo do Exército. O plano também é gastar R$ 10 mil na aquisição de kits de vinho canivete saca-rolhas, um anel salva gotas, uma tampa e um termômetro para vinho, acompanhado de maleta em madeira com berço em espuma.

Todas essas notícias deixam o cidadão atordoado. Ele se habituou a ser informado que a PEC 241 vai congelar o limite de gastos do setor público por 20 anos como medida para conter a crise. E vê todos os dias notícias sobre os planos de intervenções na Previdência Social como forma de evitar a quebra dessa instituição e garantir os direitos dos aposentados. Ao constatar, porém, que os políticos não dão o exemplo de contenção de despesas, o cidadão se sente enganado.

Infelizmente, o que fica claro é que a sociedade brasileira é composta de dois andares. No andar de cima, a farra continua, como se não existisse nenhuma crise, como se os que fazem parte desse nível social se sentissem no direito de se comportar como quem vive numa ilha de riqueza e prosperidade. E no andar de baixo, sentindo-se ultrajado, o cidadão é quem paga a conta do sacrifício na forma de vida mais difícil, sonhos cada vez mais distantes e esperança perdida.

No fim das contas, os ocupantes do andar de cima adotam comportamentos que ferem os princípios de democracia, os valores de justiça, as promessas de honrar os votos dos eleitores. Essa postura, comparada aos sofrimentos do andar de baixo, tem a dimensão de escândalo num país já devastado pela imoralidade.

Paulo Dirceu Dias
paulodias@pdias.com.br
Sorocaba – SP

Juiz faz corajosas declarações em defesa da justiça no Brasil

magistrado

Exemplar e corajosamente, o juiz gaúcho João Ricardo dos Santos Costa, presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros – AMB, em publicação na Revista Veja nº 2503, do último final de semana – datada de 09.11.2016 -, se declara contra as tentativas de frear a Lava-Jato, bem como de outras, diversas, que tentam impor autoproteção à políticos, além de comentar atos e declarações do ministro Gilmar Mendes, do STF. Vale a pena ler. Com poucas palavras ele aborda de forma direta e objetiva assuntos como; O Brasil da Lava-Jato, Ameaça à Justiça, Corrupção, Anistia ao Caixa Dois, Mobilização, Juíz Sergio Moro, Operação Abafa, Renan Calheiros e Foro Privilegiado.

Esse magistrado precisa ser apoiado, para que leve em frente suas ideias e propostas.

A seguir a reprodução integral da matéria, do entrevistador Rodrigo Daniel, da Veja.

É preciso reagir!

Estado de alerta – João Ricardo dos Santos Costa: “Paralização nacional em defesa das investigações de corrupção”.

Magistrado diz que a justiça vai se levantar contra as tentativas de frear a Lava-Jato, e acusa o ministro Gilmar mendes de participar da “operação abafa”.

O BRASIL DA LAVA-JATO está perto de repetir a Itália da Mãos Limpas. Aqui, tal como lá, os políticos ensaiam uma reação para conter a investigação que está desnudando os laços mafiosos entre o poder e o dinheiro. Para o presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), o juiz gaúcho João Ricardo dos Santos Costa, a investida já ultrapassou o terreno da ameaça. A tentativa de sabotagem é real e cresce à medida que a investigação se aproxima do topo da cadeia de comando do petrolão. A AMB, a maior entidade de juízes do mundo, com 14000 associados, planeja um dia de paralisação nacional em defesa da Lava-Jato. Na entrevista a seguir. Santos Costa diz que considera impróprio que suspeitos permaneçam em cargos importantes da República e critica o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal.

AMEAÇA À JUSTIÇA

Nós já superamos a ideia de que estamos correndo riscos. Estamos vivendo isso. Os riscos são visíveis. Querem esvaziar as funções do sistema judicial. Incluindo o Judiciário e o Ministério Público. Isso não é mais um receio. Há atitudes e iniciativas concretas no Congresso que põem em sério risco nosso sistema de Justiça. E, não por coincidência, são os políticos sob investigação que estão defendendo medidas para barrar a ação do Judiciário. Um exemplo é a proposta para punir abuso de autoridade.

CORRUPÇÃO

O juiz italiano Gherardo Colombo, que atuou na Mãos Limpas, diz que lá os cidadãos demoraram a perceber o movimento urdido para enfraquecer a Justiça. No Brasil, os cidadãos têm de estar atentos. Estamos passando pelo mesmo problema. É preciso reagir. A Lava-Jato é mais que um processo de combate à corrupção. É um processo que repagina nosso sistema político e econômico e expõe o DNA do nosso subdesenvolvimento. Não era só propina. Era um modelo de apropriação do Estado por políticos e empresas. A investigação desnudou essa prática e agora já notamos. Além de iniciativas no Congresso, declarações públicas de políticos que confirmam algo que antes vinha sendo urdido nos bastidores.

ANISTIA AO CAIXA DOIS

A tentativa de anistia é mais um movimento para esvaziar a Lava-Jato, que está atingindo parlamentares de praticamente todos os partidos. É uma vergonha para o país uma anistia desse nível. Não há justificativa moral. Não temos de dar nenhuma anistia. Temos de punir mais. Defendemos não só a criminalização do caixa dois como também do enriquecimento ilícito. Estamos cheios de histórias de homens públicos que só viveram da política e são riquíssimos, e sabemos que, com os salários da política, isso não seria possível.

MOBILIZAÇÃO

Não será surpresa se a sociedade perceber o golpe que está em curso contra o sistema judiciário e voltar às ruas. Nós, juízes, estamos mobilizados, as entidades da magistratura estão mobilizadas. A reação tem de ser forte. Ainda não há data marcada, mas estamos planejando uma paralisação nacional de juízes e um ato forte em defesa da Lava-Jato. Outra ideia é fazermos uma espécie de operação-padrão, um esforço de juízes para dar prioridade a processos relacionados à corrupção. Nós, juízes, precisamos mostrar ao país as consequências positivas da operação e. sobretudo, a necessidade de mudarmos esse cenário.

JUIZ SERGIO MORO

A Lava-Jato trouxe visibilidade, mas há tempos o Judiciário vem atuando. Temos governador preso, ex-governador preso, prefeitos presos e com bens indisponíveis. O problema é o nosso sistema recursal, que faz com que os processos nunca terminem. A quantidade de recursos possíveis, junto com a quantidade de processos acumulados, gera a prescrição, a impunidade. Agora, em razão da Lava-Jato, o Supremo Tribunal Federal entendeu que as penas podem ser cumpridas já após a condenação em segundo grau. É um passo importante para o sistema ser mais efetivo. O instrumento da colaboração premiada também é fundamental para resolver casos que envolvem crime organizado, crimes que envolvem inteligência. São mecanismos modernos que vêm sendo muito bem usados pelo juiz Sergio Moro.

OPERAÇÃO ABAFA

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo, diz que algumas categorias têm se utilizado da Lava-Jato para manter ou reivindicar privilégios. Não sei a que categorias ele se refere, mas nós, da Associação dos Magistrados do Brasil, entendemos que o ministro Gilmar Mendes é um dos que estão trabalhando para abafar a Lava-Jato. Ele usa do argumento corporativo para desfocar o assunto mais importante de que estamos tratando: o país quer saber é do combate à corrupção. Desconheço por que ele tem agido assim. O ministro integra a Suprema Corte, mas fala como se fosse membro do Legislativo ou do Executivo. Isso gera um desconforto muito grande para nós, magistrados.

RENAN CALHEIROS

A política tem de ser habitada por pessoas que representem a sociedade, e não os próprios interesses. Políticos que estão sob investigação não podem ocupar postos estratégicos do Estado. Precisam ter credibilidade perante a sociedade. Um político sob suspeita tem de ter a consciência de se afastar do cargo para se defender – e todos têm direito à defesa -, mas o interesse do Estado precisa ser maior. Alguém que está sendo investigado simplesmente não pode presidir um poder. No Senado, temos Renan Calheiros. Há uma incompatibilidade completa nisso.

FORO PRIVILEGIADO

O Supremo foi estruturado para julgar recursos, não para analisar provas de um processo nem para receber denúncias. Mas essa demora incomoda toda a sociedade. Por isso, combatemos o foro privilegiado, uma excrescência do nosso sistema. Com o mensalão, o STF deu uma demonstração de que a lei é igual para todos. Agora, a Lava-Jato vem para reafirmar isso. O Supremo está exercendo um papel extremamente importante e precisa dar uma resposta à sociedade. É necessário apurar e punir com celeridade também os políticos.

Paulo Dirceu Dias
paulodias@pdias.com.br
Sorocaba – SP

Educação em poesia

Educação em poesia – Para reflexão

De Fabio Brazza, poeta, músico e improvisador, que já conta com mais de 1 milhão de seguidores nas redes sociais. É neto do poeta Ronaldo Azeredo.

Com 03m12s o vídeo que segue é oficial, de música de Fabio Brazza, com a participação do violinista Raphael Braga, que está na faixa 12 do álbum Tupi, or not Tupi, do Fabio Brazza. Foi publicado no Youtube em 17 de out de 2016 – Produtos Oficiais: www.lojadobrazza.com.br. Gravado no MonoMono Estúdio

A Letra

Imagina como seria
O nosso querido Brasil
Se na matéria estudantil
Se incluísse a poesia
Se nosso prato do dia
Fosse o verso dum poeta
Uma dieta seleta
Pra deixar a mente sadia
De Antônio Goncalves Dias
A Poesia Concreta

E que tivesse na merenda
Um poema por semana
Bastante Mario Quintana
Pra que a molecada aprenda
Com graça e curiosidade
O quanto aprender é bom
De Chico, Vinicius, Tom
A Carlos Drummond de Andrade
E que na hora do recreio
Entre vivas e salves
A criançada em anseio
Clamasse por Castro Alves

Imagina como seria se ao invés de celulares
Nossos jovens se distraíssem
Lendo livros aos milhares
Seriam suas mentes mais lúdicas
Imagina se as escolas públicas
Fossem iguais às particulares
Se Augusto de Campos e Sergio Vaz
Fossem nossos artistas populares

Hoje em dia as músicas são tão pobres
Não consigo ver nenhuma vantagem
Numa letra sem vida
Totalmente desprovida
De qualquer mensagem

Se a gente é o que a gente lê
Se a gente é o que a gente ouve
Agora dá pra entender
Com nossos jovens o que houve
Mas imagina se ao invés
De ostentação e pornografia
Eles recitassem cordéis
E ostentassem poesia
Imagina como seria
Se eles lessem Gabriel Garcia
Mario Vargas Llosa
Escutassem Mercedes Sosa e Paco de Lucia
Se soubessem quem foi Vicente Huidobro
Talvez aprenderiam o dobro
Do que aprendem hoje em dia

Mas é que sabotaram
A Educação Brasileira
É perda de tempo ouvir Hip Hop
Pois o que não dá ibope é besteira
A mídia nos entope
Com o lixo do POP
E não com Manuel Bandeira
A mídia nos Dopa
De novela e de Copa
E o povo feito tropa
Caminha alienado
Mas esse caminhar restrito
Não é o mesmo descrito
Por Antônio Machado

Aliais alguém sabe quem foi Antônio Machado?
Não te culpo se não sabia
Pois eu também não saberia se não tivessem me contado

Eu sei que este mundo que tenho imaginado
Não passa de uma utopia
Mas no meu ponto de vista
Acredito que ele exista
Pois tudo existe aonde existe a poesia
Por isso tento fazer minha parte
Pra disseminar sabedoria
Pra que ao menos nossa arte
Não se transforme em mera mercadoria
Cada verso é um resgate
Em nome da poesia
Pra que essa sociedade vazia
Pouco a pouco não lhe mate

FABIO BRAZZA, neto do poeta Ronaldo Azeredo, além de poeta é também músico e improvisador, que já conta com mais de 1 milhão de seguidores nas redes sociais. Começou a ganhar visibilidade pela parceria com o “Desimpedidos”, maior canal dedicado a futebol do YouTube, onde ficou conhecido como criador das batalhas de rap entre times de futebol. Sua paixão pelo futebol, somada a sua habilidade em criar rimas, se transformaram em um convite para ser o repórter oficial da Florida Cup, onde teve oportunidade de fazer homenagens em forma de improviso para grandes nomes do esporte, como Ronaldo Fenômeno, Ronaldinho Gaúcho e Chicharito, em vídeos que acabaram sendo compartilhandos pelos próprios jogadores e foram parar em canais como a Televisa (MEX), NBC (USA) e Bundesliga (GER).

Fabio Brazza faz também hip-hop popular brasileiro, música brasileira e hip-hop, numa fusão perfeita com as melhores letras do rap nacional da atualidade, crítica social, alegria, ritmo e poesia enchendo os olhos e o coração. Mas seu talento, inteligência e dom de improvisar rimas já fizeram com que ele dividisse o microfone com grandes nomes do gênero, como Gabriel o Pensador, Edi Rock do Racionais MC’s e Chali 2 na do Jurassic 5. Em abril de 2014 lançou seu primeiro álbum, “Filho da Pátria”, e já foi parar na lista dos 10 artistas que estão reinventando a música brasileira, do site americano Wondering Sound.

Entre videoclipes, poesias e improvisos de rap, já conta com mais de 110 milhões de visualizações nos seus vídeos, e vem transformando a cabeça de uma geração de jovens que, depois de conhecerem seu trabalho, mudaram a relação com o conhecimento. Atualmente está lançando seu segundo álbum “Tupi, or not Tupi”, que conta com as participações de Arnaldo Antunes, Caju e Castanha e Paula Lima, e assinou contrato com uma editora para escrever um livro que conta sua história, mesclada com trechos de músicas e poesias próprias.

Paulo Dirceu Dias
paulodias@pdias.com.br
Sorocaba – SP